
Diariamente pessoas obesas saem de casa e sabem que vão enfrentar muitos desafios, desde o transporte público até outros ambientes que não estão preparados para acomodá-las. Sabem também que podem ser alvos de julgamentos. Esse preconceito é conhecido como “Gordofobia". E para atingir padrões, na busca por um corpo dito como "perfeito", mulheres fazem dietas cada vez mais restritivas e não é incomum, nesta luta incessante, desenvolverem graves distúrbios. Distúrbios alimentares que também têm impacto na vida psicológica. A análise é da psicóloga Simone Domingues, especialista em Neuropsicologia. E na semana que recorda o Dia Internacional da Mulher uma importante reflexão levantada é: como as mulheres se enxergam e enxergam seus próprios corpos? "Os distúrbios alimentares têm cunho psíquico. E, hoje, há as pressões amplificadas pelas redes sociais", destaca. A especialista explica que a bulimia, anorexia e quadros de compulsões alimentares estão ligados também a uma busca por um perfil corporal e, então, surge uma distorção da imagem corporal da mulher. "Dietas restritivas impactam em transtornos mentais", alerta. Que quadros psíquicos são esses? A anorexia, por exemplo, pode levar a um cenário de depressão, ansiedade, isolamento. Bulimia e compulsão alimentar ligadas a "emoção desregulada, sentimentos de solidão, tristeza. A comida vem como forma de neutralizar, acalmar", explica. Na discussão sobre padrões estéticos, o "Gorda na Lei", projeto da dupla capixaba Rayane Souza e Mariana Vieira, que atua na luta contra a gordofobia na área jurídica, virou notícia até no "New York Times". O correspondente do jornal na América do Sul, Jack Nicas, cita o projeto como referência na área no Brasil. O "Gorda na Lei", que é ativista e sem fins lucrativos, visa compartilhar informação clara e de maneira dinâmica à respeito dos direitos da pessoa obesa. Em entrevista à CBN Vitória, Rayane Souza, pós-graduada em Direito Digital e um das fundadoras, também fala sobre o tema!