
A Procuradoria da República no Espírito Santo ajuizou uma ação civil pública para obrigar o governo do Estado a promover transparência nos dados de ocupação de leitos de terapia intensiva e também nos números de testes da Covid-19 realizados nos municípios capixabas. Isso porque o MPF entendeu que as informações disponibilizadas sobre o assunto no Painel Covid, da Secretaria de Estado da Saúde, podem induzir a erro. Em entrevista à rádio CBN Vitória nesta segunda-feira (08). a procuradora da República em Cachoeiro de Itapemirim, Renata Maia Albani, explica que não só a forma como os dados são divulgados podem induzir a erro de interpretação, ao somar vagas de UTI disponibilizadas em hospitais para atendimento de crianças e adultos, como também dar uma falsa sensação à população, que acaba flexibilizando o isolamento social. Na mesma ação, o MPF solicita que o Governo do ES deve também apresentar um plano de estratégia de remanejamento de pacientes, quando da saturação de leitos de UTI para atendimento de pacientes da covid-19, com regras claras, que determinem soluções rápidas, caso determinado hospital não possa receber pacientes em seus leitos de UTI. A ação, explica a procuradora Renata Maia Albani, demonstra que houve recusa de pacientes em hospitais devido ao atingimento de 100% da capacidade operacional em leitos de UTI específicos para covid-19 de alguns hospitais, sendo que o Portal do Estado ainda indicava a existência de vagas. Um exemplo foi o caso noticiado pela imprensa informando que, no dia 21 de maio, o município de Guaçuí registrou duas mortes por covid-19 de pacientes que deixaram ser atendidas na Santa Casa de Misericórdia de Cachoeiro de Itapemirim por falta de leitos de UTI. Questionada pelo MPF, a Santa Casa de Misericórdia de Cachoeiro de Itapemirim informou que chegou a atingir 100% da ocupação de leitos de UTI para pacientes com covid-19, motivo pelo qual, no dia 21/05/2020, foram negadas vagas de UTI a oito pacientes de municípios do sul do estado, entre eles, as duas pacientes que vieram a falecer em Guaçuí. O governador Renato Casagrande afirmou que considera "inconcebível" que o órgão levante suspeitas e ressaltou que o Estado ocupa a primeira posição no ranking de transparência nos dados sobre coronavírus.