
Com a venda dos bitcoins apreendidos de uma empresa da Serra, que em 2019 foi alvo da Operação Madoff, deflagrada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, foi possível arrecadar mais de R$ 5,7 milhões, que serão utilizados para ressarcir investidores lesados pelo esquema financeiro. Os empresários são suspeitos de vender ativos financeiros, semelhantes aos ofertados por fundos de investimentos, com promessas de lucros mensais de até 20%. Os valores aplicados pelos poupadores, porém, não eram realmente destinados à compra de bitcoins, segundo apontam as investigações. Os indícios são de que a empresa, que teve o site desativado há dois anos, atuava por meio de um esquema Ponzi, um tipo de pirâmide financeira, em que os montantes aplicados pelos novos investidores eram utilizados para ressarcir os “clientes” mais antigos. Os 28,22 bitcoins apreendidos foram vendidos na última semana. De acordo com o delegado da Polícia Federal, Guilherme Helmer, a alienação dos ativos vinha sendo discutida desde o início da operação, mas somente nas últimas semanas chegou-se à conclusão sobre o modelo de venda. Segundo as investigações divulgadas ainda em 2019, a gestora de recursos agia de forma clandestina, pois não tinha autorização nem da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) nem do Banco Central para operar com a venda de títulos. As investigações começaram em 2018. A companhia, contudo, agia desde 2017 como uma corretora de valores, vendendo investimentos vinculados a bitcoins semelhantes aos famosos fundos de ações. Entre os clientes da companhia, estavam pessoas do Espírito Santo e de outros Estados.