
O medicamento tofacitinibe, da Pfizer, usado para tratar artrite, se mostrou eficaz no tratamento da Covid-19. É o que concluiu um estudo liderado e coordenado pela "Academic Research Organization" (ARO) do Hospital Israelita Albert Einstein, em parceria com a farmacêutica americana. Segundo o artigo publicado no The New England Journal of Medicine, uma das revistas médicas de maior impacto do mundo, o tofacitinibe reduziu em 37% a chance de morte ou piora dos quadros de insuficiência respiratória provocados pela infecção pulmonar derivada da Covid-19. Os testes tiveram a participação de 289 pacientes adultos internados, há no máximo três dias, em 15 centros brasileiros de tratamento - entre eles o Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves, localizado na Serra. As cientistas Patrícia Oliveira Guimarães, médica e pesquisadora do Einstein e Priscilla de Aquino Martins, médica e pesquisadora do Jayme, detalham os estudos. Primeiro do mundo a investigar o impacto do medicamento contra a enfermidade, o estudo seguiu o modelo de pesquisa padrão para avaliar tratamentos, conhecido como padrão-ouro (randomizado, duplo-cego e com grupo controle). Seu objetivo foi testar a eficácia e a segurança do produto quando usado em pacientes adultos hospitalizados com pneumonia causada pela Covid-19 que não necessitavam de suporte ventilatório invasivo. Um grupo recebeu o tofacitinibe (10mg) duas vezes por dia mais tratamento padrão até a alta ou 14 dias de hospitalização. Outro, placebo e tratamento padrão durante o mesmo período. Cerca de 90% dos participantes (89.3%) foram medicados com glucocorticóides durante a internação (dexametasona, em sua maioria). Ao final de 28 dias, em relação ao grupo placebo, o medicamento reduziu em 37% o risco de morte ou falência respiratória. Este dado é importante por demonstrar que o tofacitinibe possui efeito benéfico aditivo aos corticoides, que já demonstraram sua eficácia em pacientes hospitalizados com Covid-19. É importante ressaltar que o medicamento não foi aprovado ou autorizado para uso por nenhuma agência regulatória do mundo para o tratamento de Covid-19, uma vez que o estudo agora publicado é o primeiro randomizado multicêntrico a avaliar seu impacto no tratamento da doença. Sua eventual utilização no arsenal anti-Covid dependerá de extensa avaliação de dados por parte dos órgãos reguladores e autoridades de saúde. No Brasil, o medicamento é indicado para o tratamento da artrite reumatoide, artrite psoriásica e retocolite ulcerativa.