
Um estudo clínico realizado no interior de São Paulo, concluiu que a vacinação em massa pode ser responsável pela queda significativa nos índices de mortes, internações e casos sintomáticos da Covid-19. Trata-se do Projeto S, do Instituto Butantan, que vacinou toda a população adulta do município de Serrana, de 45 mil habitantes, entre 17 de fevereiro e 11 de abril para avaliar a efetividade da CoronaVac no controle da pandemia. As primeiras conclusões do estudo, divulgadas esta semana, constataram que a imunização em larga escala com a CoronaVac fez despencar em 80% os casos sintomáticos da Covid-19, em 86% as internações, e em 95% as mortes. Em entrevista à CBN Vitória, o médico Marcos Borges, investigador principal do Projeto S e diretor do Hospital Estadual de Serrana, traz mais detalhes do estudo. Acompanhe! O método utilizado para o ensaio clínico foi o chamado de implementação escalonada por conglomerados. Serrana foi dividida em 25 áreas, formando quatro grupos: verde, amarelo, cinza e azul – que receberam o imunizante seguindo esta ordem e com uma semana de diferença. A vacina foi ofertada a todos os maiores de 18 anos elegíveis para o estudo nestas áreas, de forma sequencial, em quatro etapas. Entre 17 de fevereiro e abril deste ano, ao longo de oito semanas, cerca de 27 mil moradores do município receberam o esquema vacinal completo: duas doses da CoronaVac com intervalo de 28 dias entre a primeira e a segunda. Isso representou uma cobertura próxima a 95% da população adulta, segundo censo de saúde feito previamente pelo Butantan. Marcos Borges explica que o método de escalonamento permitiu avaliar e comparar as quatro áreas vacinadas. "Percebemos que os fenômenos observados não acontecem aleatoriamente, mas se repetem nos quatro grupos em momentos diferentes", afirma. "O resultado mais importante foi entender que podemos controlar a pandemia mesmo sem vacinar toda a população. Quando atingida a cobertura de 70% a 75%, a queda na incidência foi percebida até no grupo que ainda não tinha completado o esquema vacinal."