
Em meio as discussões sobre a possibilidade de volta às aulas nas cidades brasileiras, estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado nesta quarta-feira (22), alerta que esse retorno coloca em risco não apenas crianças, adolescentes, professores e funcionários de escolas. Nacionalmente, o retorno pode representar ameaça de contágio pela Covid-19 para outros 9,3 milhões de adultos e idosos, que estarão em contato com esses estudantes na mesma casa. Uma das responsáveis pelo estudo, Celia Landmann, pesquisadora-titular da Fiocruz, em entrevista à rádio CBN Vitória, alertou que é muito arriscado pensar neste momento no retorno às aulas presencias do ponto de vista da saúde pública. A quantidade de pessoas que pode passar a se expor ao novo coronavírus foi calculada por análise da Fiocruz feita com base na Pesquisa Nacional de Saúde (PNS 2013). A pesquisa é de base domiciliar e de âmbito nacional e foram pesquisados 64.000 domicílios no Brasil. A Fiocruz aponta que mesmo que escolas, colégios e universidades adotem as medidas de segurança (e elas sejam cumpridas à risca), o transporte público, o transporte escolar e a falta de controle sobre o comportamento de adolescentes e crianças que andam sozinhos fora de casa representam potenciais situações de contaminação por Covid-19 para esses estudantes. Uma pesquisa realizada pelo Sindicato das Empresas Particulares de Ensino do Espírito Santo (Sinepe-ES) com as famílias de alunos da rede privada apontou também que a maioria ainda se mostra insegura com a volta às aulas presenciais, que estão suspensas desde março. A pesquisa "Sinepe/ES com as famílias. Volta às aulas presenciais na rede particular de ensino do Espírito Santo com responsabilidade se segurança" foi realizada entre os dias 16 a 22 de julho, por meio de formulários enviados aos pais e responsáveis sobre a retomada. Foram computadas mais de 10 mil respostas, englobando todos os segmentos da educação particular, do Ensino Infantil até o Superior.