
Chegamos a quarta semana do Advento, com mais uma reflexão do Padre Marianista espanhol, Ignacio Otaño. Jesus tem em alta estima João Batista e sua missão de preparar o caminho do Senhor. Mas a mensagem de João precisará ser de alguma forma corrigida, completada e esclarecida por Jesus. Daí algumas diferenças. João fala da "ira de Deus" e ameaça punição. Jesus não ameaça ninguém, ele não fala de ira, mas do amor, misericórdia e compaixão de Deus para com todos. O castigo de João, em Jesus, torna-se uma nova oferta de graça: é o tempo em que Deus continua fazendo o sol nascer sobre o bom e o mau, o tempo em que as semente podem crescer. É o tempo da misericórdia entranhável, que o leva a curar as doenças, os males e os sofrimentos daquele povo abandonado. A mensagem de João é bastante triste e sombria; a mensagem de Jesus é uma mensagem de alegria. Recolhendo o eco do povo de seu tempo, o Evangelho compara João a um enterro e Jesus a um casamento. João nunca curou um doente, nunca tocou um leproso, nunca abençoou uma criança. Ele pediu penitência e conversão. Jesus viu o sofrimento; para ele o grande pecado é causar sofrimento ou viver indiferente ao sofrimento. E ele é visto por Galiléia não com seu dedo indicador levantado, lembrando-nos da ira e da ameaça de Deus, mas ele é visto curando, abraçando, abençoando, aliviando a dor e, acima de tudo, fazendo o grande gesto de comer com os pecadores. João e Jesus, entretanto, concordam em que a promessa anunciada pelo profeta será cumprida: E todos verão a salvação de Deus. Sabemos que somos "seres inacabados" e, ao mesmo tempo, há dentro de nós um anseio de plenitude. Se nos confiarmos ao Deus amoroso que nos mostrou Jesus, caminharemos na direção da salvação definitiva. Com esta mensagem, encerramos aqui esta série do Advento 2021. Feliz tempo de preparação a todos!