
CHUÁ CHUÁ #2 > BRUNO MENDONÇA Signo de Água é um conjunto de gravações realizadas no banheiro. São vocalizações, cantos, falas e outras performances vocais. Este ambiente extremamente íntimo é o lugar onde cantamos, choramos, gozamos, fazemos rituais de autocuidado, mas também é onde podemos nos matar... Suicídios são comuns nos banheiros. Ana Cristina Cesar, por exemplo, vigiada em tempo integral por profissionais de saúde mental, familiares e amigos disse que iria tomar um banho... Saiu do banheiro completamente ensaboada para que ninguém a segurasse e deu um voo rasante pela janela do apartamento. Não pensei apenas em Ana Cristina Cesar para este trabalho, pensei também no banheiro como esse lugar entre público e privado - quando pensamos na sua influência no imaginário da comunidade gay masculina, como uma arquitetura propícia para o cruising, como na obra “Once upon a Time” de Keith Haring. Além disso, me vieram à cabeça tantas imagens desse tipo de espaço em trabalhos viscerais de fotógrafos contemporâneos que me formaram enquanto bicha, como Peter Hujar, Nan Goldin, Lyle Ashton Harris, Wolfgang Tillmans, apenas para citar alguns. Lembrei também das demos gravadas por Daniel Johnston refletindo sobre sua masculinidade frágil... Este é um ambiente importante para mim, recorrente... Um estúdio. Neste espaço canto... canto... canto... Do vapor saem novos poemas, da pele murcha, epifanias... A chuca é um paradigma... E o espelho então? CHUÁ CHUÁ #2 > SIGNO DE ÁGUA > BRUNO MENDONÇA 1. Don't com Claudia Medeiros 2. Vulcão (excertos de poemas visuais de Leonilson) 3. Ulisses é Penélope Penélope é Ulisses 4. The Crest of a Wave (versão de poema de Lawrence Weiner) 5. Virus 6. Ouroborus (eufalo) 7. Nice to meet You (Espelho) 8. Jewel