
Às vezes a música chega antes do luto, e fica depois que tudo passa. Once é assim. Com a morte de Glenn Hansard, o filme ganhou mais uma camada de significado. John Carney filmou em 17 dias uma história de amor que se recusa a ser uma história de amor. Dois músicos sem nome, em Dublin, que se encontram num momento errado — e fazem disso a coisa mais certa que cada um já viveu. A trilha sonora se transforma no filme em si. Os diálogos são quase ausentes porque as músicas dizem o que os personagens não conseguem verbalizar. E o final entrega algo mais honesto e mais difícil do que qualquer filme de Hollywood poderia prometer. No episódio 47 do Cinematografia Podcast, Flávia Arielo, Fernando Geloneze e Jason Baroni revisitam Once como homenagem a Glenn Hansard (morto em um acidente de moto nesta última semana), passando pela delicadeza da direção de John Carney, pela potência da trilha e pelo o que o filme revela sobre amor, destino e despedida. 🎥 Neste episódio, a conversa passa por: Personagens sem nome: o que muda quando a ficção recusa a identidade para aproximar o universal. A música como narrativa, e não como trilha: como Falling Slowly e as demais composições substituem o diálogo e constroem o arco emocional do filme. O destino como personagem: o aspirador de pó, a rua, o momento errado que se torna o momento certo. O Oscar de Melhor Canção e o momento histórico em que Markéta Irglová voltou ao palco para fazer o agradecimento que foi cortado. Glenn Hansard além de Once: o músico, o compositor folk e o que a arte perdeu. 💬 E para você: Once é um filme de amor, um filme sobre música ou um filme sobre o que a gente deixa ir? Conta nos comentários.