
Na voz de @Brighid, ouvimos agora os comentários sobre a parte do conto em que a menina órfã será crismada, é o momento em que a ela se apresenta a armadilha dos sapatinhos vermelhos que ficarão no lugar dos seus sapatinhos feitos à mão. Dentre os muitos perigos de se levar uma vida dupla, Clarissa Pinkola nos alerta sobre o fato de não se poder perceber quem é o "mutante" e da "perda de vitalidade" que sofre a mulher que vive dubiamente, escondendo seu "tesouro". Lembrem-se que ninguém pode respirar com pouco ar, e que a mulher selvagem precisa respirar a plenos pulmões, nos adverte Clarissa. "É difícil ocultar fragmentos de vida desse jeito, mas as mulheres o fazem todos os dias. (...) Superficialmente, ela aparenta desinteresse e tranquilidade mas, sempre que surge uma réstia de luz, sua alma esfaimada dá um salto, persegue a forma de vida mais próxima, alegra-se, dá coices, avança loucamente, dança como uma boba, fica exausta e depois tenta se esgueirar de volta à cela sombria antes que alguém perceba sua ausência. As mulheres infelizes no casamento agem assim. As mulheres forçadas a se sentirem inferiores agem assim. As mulheres cheias de vergonha, as que temem ser punidas, expostas ao ridículo ou à humilhação agem assim. As mulheres com instintos feridos agem assim." (p. 300)