
Neste episódio, @C.T. faz a leitura da parte do #8 na qual Clarissa Pinkola comenta sobre o momento em que os sapatinhos vermelhos da dança maldita são arrancados da menina, pela via do corte dos pés. Aqui é importante ver que este momento de "corte dos pés" é algo que abala psiquicamente uma mulher, levando-a, inclusive, a definir uma estrutura psicótica, com surtos que a fazem delirar e alucinar. Pode também levar ao surgimento de sintomas graves de depressão e ansiedade. Romper com a dependência química gera quadros de abstinência. Em muitos casos de cortes abruptos com as chamadas relações tóxicas, sejam amorosas, familiares e de trabalho, também pode se observar quadros de grande desequilíbrio psíquico. No entanto, paradoxamente, a recuperação, como diz Clarissa Pinkola, vem justamente da "dor de se ver separada dos sapatinhos vermelhos". Na sequência @C.T, começa a leitura de "O retorno da vida feita à mão, a cura dos instintos feridos", apontando para o bálsamo de que "se a nossa natureza selvagem foi ferida, nós nos recusamos a nos deitar para morrer". Muitas vezes, cortes são necessários para que uma planta viceje, para que um texto ou uma fala se torne mais concisa e clara. A vida sem excessos, com um corte certeiro, pode ser libertador. "Uma mulher braba" sabe disto, mas, imediatamente após ser ferida, precisa de um tempo para "voltar ao Self de direito". Assim, seguimos para o próximo episódio, o que fecha o #8.