
Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari destaca a 11ª edição da “Mostra internacional de teatro de São Paulo”, em cartaz até 15 de março. A iniciativa retoma o espírito dos históricos festivais organizados entre as décadas de 1970 e 1990 pela produtora e atriz Ruth Escobar, que trouxe ao Brasil encenadores e companhias de várias partes do mundo. A MIT SP foi criada em 2014 pelo diretor Antonio Araújo e pelo produtor cultural Guilherme Marques, com colaboração de Raphael Steinhauser e uma ampla equipe, resgatando essa tradição de intercâmbio artístico internacional. Mais do que trazer espetáculos estrangeiros, o evento também promove processos criativos, performances, debates e ações pedagógicas, reunindo produções internacionais e trabalhos de várias regiões do Brasil. A abertura da Mostra apresentou “História da violência”, adaptação da obra do escritor francês Édouard Louis, em uma encenação vinda da Alemanha que aborda temas como racismo, homofobia e relações familiares. A trama acompanha um jovem que leva para casa um homem de origem argelina e vê a relação afetiva inicial se transformar em um episódio de extrema violência. Outro destaque da programação é “Quem matou meu pai”, também baseado na obra de Édouard Louis, em cartaz até sexta-feira no Teatro Paulo Autran. No espetáculo, o próprio autor revisita sua relação conturbada com o pai alcoólatra e violento, enquanto discute temas como desigualdade social e preconceito na França contemporânea. Com uma programação extensa — confira em mitsp.org —, que inclui espetáculos, debates, performances e atividades gratuitas espalhadas por diversos espaços da cidade, a MIT-SP segue consolidando seu papel como um dos eventos mais importantes do teatro em São Paulo.