
oi! passei aqui só pra ler poesia. te envio isso passeando pelo rio Mondego num dia de sol. um beijo. com amor, amanda. Um boi vê os homens (Carlos Drummond de Andrade) . Tão delicados (mais que um arbusto) e correm e correm de um para outro lado, sempre esquecidos de alguma coisa. Certamente, falta-lhes não sei que atributo essencial, posto se apresentem nobres e graves, por vezes. Ah, espantosamente graves, até sinistros. Coitados, dir-se-ia não escutam nem o canto do ar nem os segredos do feno, como também parecem não enxergar o que é visível e comum a cada um de nós, no espaço. E ficam tristes e no rasto da tristeza chegam à crueldade. Toda a expressão deles mora nos olhos - e perde-se a um simples baixar de cílios, a uma sombra. Nada nos pêlos, nos extremos de inconcebível fragilidade, e como neles há pouca montanha, e que secura e que reentrâncias e que impossibilidade de se organizarem em formas calmas, permanentes e necessárias. Têm, talvez, certa graça melancólica (um minuto) e com isto se fazem perdoar a agitação incômoda e o translúcido vazio interior que os torna tão pobres e carecidos de emitir sons absurdos e agônicos: desejo, amor, ciúme (que sabemos nós?), sons que de despedaçam e tombam no campo como pedras aflitas e queimam a erva e a água, e, difícil, depois disto, é ruminarmos nossa verdade. This is a public episode. If you would like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit amandasanto.substack.com