
A gravidez interrompida de uma menina de dez anos, estuprada desde os 6 anos pelo tio, no Espírito Santo, acendeu debates religiosos, filosóficos, sanitários e éticos em todo o país. Longe dos radicalismos e com o único propósito de despertar reflexões, o "Análise Van FM" desta quarta-feira 19, abordou o tema. Exibido semanalmente no Jornal de Vanguarda, e conduzido pelo publicitário e consultor de marketing, Alexandre Prado, o programa teve como convidada Thalita Lemoigne: advogada criminalista e de minorias desde 2018, Presidente da Comissão de Direito das Minorias da OAB/Subseção Varginha, com pós-graduação em direito processual civil. Para quem pensa que o dilema ocorre longe, e não tem nada a ver com a gente, de acordo com a Delegada Geny Azevedo, da Delegacia Especializada da Mulher em Varginha, devido à pandemia, os casos aumentaram por aqui. São aproximadamente 10 registros por mês na cidade. Na maioria das vezes, os abusos são cometidos por parentes, vizinhos ou amigos da família. Problema nacional Infelizmente, casos terríveis como o da menina de 10 anos que engravidou após ser abusada sucessivamente pelo tio, no Espírito Santo, acontecem no Brasil todos os dias. Dados oficiais apontam que a cada quatro horas, quatro menores de 14 anos são estupradas no País. Dos 1.024 abortos permitidos por razões médicas entre janeiro e junho deste ano, 35 foram de meninas nesta faixa etária. Isso está registrado na plataforma DataSus, do Ministério da Saúde. Em 2019, o total foi de 72 – média de um a cada cinco dias. Se forem considerados também abortos espontâneos e outros tipos na mesma faixa etária, o total de janeiro a junho deste ano é de 791, segundo o sistema TabNet, do DataSus. No ano passado, essa soma deu 1.871. As meninas de até 13 anos são a maioria das vítimas de estupro: quase 54% dos casos. Assim como no caso do Espírito Santo, quase 76% das vítimas de todas as faixas etárias conheciam o agressor. Ou seja, viveram esse drama dentro de casa. Imagem de lisa runnels por Pixabay