
Neste episódio do Conexões Afro-Lusófonas, os professores Paulo Speller e Yaurelis Palácios, da Universidade Afro-Americana da África Central (AAUCA), conversam com o jornalista Antonio Carlos Quinto e com o professor Ricardo Alexino Ferreira sobre a educação e a cultura na Guiné Equatorial. Speller, que é brasileiro, ocupa o cargo de reitor da instituição. Yaurelis, que veio da Venezuela e está na AAUCA há seis anos, fez estágio pós-doutoral em Educação, Sociedade e Ambiente. De acordo com Speller, os baixos índices de analfabetismo no país devem-se, entre outros fatores, às suas dimensões territoriais. “Somos um país pequeno e contamos com uma rede de educação básica altamente capilarizada, que atinge praticamente toda a população”, explicou o reitor. A AUUCA vem colaborando com a criação da Cátedra Unesco de Educação e Cultura Afro-Hispano-Americana, sediada na própria Universidade, na Cidade da Paz ( província de Djibloho). “A alfabetização é um dos eixos principais da cátedra, assim como os desafios que esta rede escolar enfrenta no país, a exemplo da formação de professores e da produção de materiais didáticos”, descreveu Speller, completando: “Nesse sentido, contamos com a importante colaboração da professora Yaurelis Palácio”. A Cátedra completou um ano em abril deste 2026. Sob a coordenação da professora Yaurelis, a Cátedra desenvolve um projeto que acolhe crianças desde a pré-escola. “O acompanhamento segue até o que vocês, no Brasil, denominam ensino médio”, pontuou a professora. A iniciativa faz uma analogia com a ceiba, que é a árvore nacional e em semente, porque é aquilo que germina. “Buscamos comparar essa semente que germina com as crianças, que no final se desenvolvem”, explicou a docente. Ela destacou ainda que o projeto é estruturado em quatro grandes blocos pensados para apoiar o crescimento dos estudantes e o trabalho dos educadores. Ou seja: a formação das crianças, a capacitação dos docentes, o envolvimento da comunidade, e a identificação das carências do sistema para a futura melhoria da infraestrutura. Línguas vernáculas Outra iniciativa em andamento na AAUCA é a criação de uma Academia de Línguas Vernáculas de Guiné Equatorial. “A Guiné Equatorial é o único país africano, entre os 55 do continente, que tem o espanhol como uma de suas línguas oficiais. Além dos idiomas oficiais: espanhol, francês e português, existem cinco ou seis línguas nacionais, vernáculas, que são faladas pela população até hoje”, destacou o reitor. Speller lembrou também que a Guiné Equatorial tem uma população de aproximadamente 1,6 milhão de habitantes. “É um território com cerca de 28 mil quilômetros quadrados, mais ou menos o tamanho de um estado brasileiro como Sergipe”, comparou. Desde janeiro deste ano, o país tem nova capital. Cidade da Paz substituiu Malabo de acordo com um decreto assinado pelo presidente Teodoro Obiang Nguema Mbasogo.