
Olá! Dou-vos as boas-vindas a este episódio do podcast "Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação". Esta semana quero falar-vos de uma tendência que noto em mim e que tento contrariar, algumas vezes com mais êxito, outras vezes com menos, que é aquela coisa de adiar aquilo que sei que me vai fazer bem. Neste episódio mencionamos: “O Caminho do Artista”, de Julia Cameron Episódio 10. Uma tinta aguada, uma cueca de algodão Episódio 33. Uma sucessão de eventos para aprender uma lição Conectar para Liderar(-me) Masterclass gratuita de procrastinação Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @air_billy. Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrever a newsletter para os receberes semanalmente na tua caixa de correio. E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós. Créditos: “Cover Girl” de Beat Mekanik Podcast Todas as terças, recebe na tua caixa de correio uma Confissão de uma super-perfeccionista em recuperação. Quero receber Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento. Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo. Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”. Olá e sejam bem-vindas a este episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”. Esta semana quero falar-vos de uma tendência que noto em mim e que tento contrariar, algumas vezes com mais êxito, outras vezes com menos, que é aquela coisa de adiar aquilo que sei que me vai fazer bem. Por onde começar? Talvez pela meditação. Conto-vos, meio em jeito de spoiler, que acabei de fazer uma meditação. Mas não vos minto se vos disser que empurrei bastante o momento de começar a meditar, com mil vozes dentro da minha cabeça a dizerem-me coisas contraditórias. Uma voz dizia: “então mas agora que finalmente te sentaste ao computador é que te lembras de ir fazer a meditação? Deixa para depois, olha que já é tarde!” A outra voz dizia: “oh mulher, tu sabes que fazes a meditação e depois escreves o episódio num instante.” E apesar de ambas as vozes terem o seu quê de razão, a balança esteve ali indecisa, sem saber para onde pender, ainda que sabendo que deveria pender para a meditação, claro, mas não se atrevendo totalmente. Tive vários momentos de dilema assim dentro da minha cabeça, em que aproveitei e fui dobrar meias, obviamente, e abri janelas para arejar a casa, e depois lá me sentei ao computador e aproveitei e fui ver as estatísticas e os números de escutas do podcast, porque, claro, nada é mais urgente que ir ver os números actuais, e depois ainda fui abrir e fechar janelas no navegador, tentando fechar alguns dos vinte mil separadores abertos. Lá está, tive êxito relativo. Dentro da minha cabeça, a voz da meditação continuava a falar: “estás a procrastinar. Daqui a pouco, passou o tempo e já não te chega para escreveres o guião do episódio. Se já sabes que fazes a meditação e parece que bebeste três cafés criativos, que o guião depois sai quase de um jacto só, porque é que estás a adiar a meditação?” E, sabem, eu tenho plena noção de que deveria ter começado pela meditação há uma hora atrás, mas algo se passa na minha cabeça que me leva a adiar aquilo que sei que me vai fazer bem. Depois faço, e penso: “mas porque é que esperei tanto para fazer isto?” Conheço este mecanismo e já o vi de vinte e quatro mil maneiras diferentes, com coisas diferentes que sei que me vão dar prazer e me vão fazer sentir bem. Vem-me à mente o mecanismo de adiar as coisas especiais para um dia especial, que muitas vezes nunca chega, como aqui há tempos falei noutro episódio em que vos falava de merecimento. (Em jeito de nota de rodapé, incluí o link para o episódio 10 nas referências). Nesse episódio, dava-vos vários exemplos de coisas que me vi a adiar: a cueca gira que faz pandã com o soutien, e que em vez de a usar, a fui poupando para um dia especial (que depois não chega); ou a loiça bonita, que fica para aquele dia em que todos os astros se alinham de forma gloriosa, e que depois não usamos; o mesmo para o faqueiro, para aquele vestido de que gostamos, mas achamos que hoje não é o dia de o usarmos. E assim por diante. Talvez por sentir, senão à superfície, pelo menos numa camada mais profunda do meu ser, que não mereço fazer o dia de hoje especial, ou por sentir que não mereço usar coisas especiais num dia normal, então adio, adio. Adio, e para quê? Enquanto escrevo, vou pensando em como é curioso que, dentro da minha cabeça, as coisas que sei que me vão fazer sentir bem, como a meditação ou a pintura, fiquem quase equivalentes às coisas, digamos “especiais”, que adio para usar noutro momento. Parece-me que o mecanismo é semelhante: de alguma forma, sinto que não mereço interromper o meu dia para fazer algo que me faz sentir bem, como a meditação ou a pintura. Da mesma forma, não mereço usar o faqueiro lindo para comer um ovo estrelado num almoço de terça-feira. A nossa capacidade de receber estas coisas que nos fazem sentir bem e que nos dão prazer é aquilo a que chamamos de “merecimento”. E, curiosamente, esta capacidade de receber, este merecimento, vem de mãos muito dadas à nossa amiga procrastinação. Quem havia de dizer? Para quem não sabe, a procrastinação é aquela arte de adiar para um dia incerto – como, por exemplo, o tal dia em que vamos usar o faqueiro bonito, ou, por exemplo, aquele dia incerto, no futuro, em que vamos começar a fazer desporto. Como diz Julia Cameron no livro “O Caminho do Artista”, a procrastinação aparece por uma razão: medo. Na maioria das vezes, pode desdobrar-se esse medo em: opção A, “e se corre mal?”, que é o medo de falhar; e em opção B, “e se corre bem?”, que é o medo do êxito. Mas, resumidamente, procrastinamos por medo. E a procrastinação dá as mãos ao merecimento porque, basicamente, temos medo de viver essa abundância, essa felicidade, esse conforto, esse prazer que as coisas de que gostamos nos vão trazer. “Poupamos” as cuecas bonitas para um dia especial, e a nossa cabeça diz-nos que é para as guardarmos, para não as estragarmos. Mas, na verdade, não as estamos a usar porque temos medo dessa sensação de abundância, alegria, prazer, luxo, conforto que essa cueca bonita nos pode trazer. Aqui há umas semanas, no ensaio do coro, fizeram-me um elogio. E posso dizer-vos que tudo o que eu queria, naquele momento, era usar um escudo reflector de atenção e esconder-me atrás dele. Para o corpo, foi muito desconfortável receber toda aquela atenção. Falei-vos disto num episódio anterior precisamente para falar sobre a capacidade de receber, o tal merecimento. Depois, ainda a receber a tal atenção e desejando ter o tal escudo, pensei que aquele era um momento bom para praticar a minha capacidade de receber, e então respirei fundo e, corada até à raiz dos cabelos, agradeci. O desconforto provocado por esta abundância, no caso, de atenção, é real e muito assustador para o nosso sistema nervoso, que está habituado a outra realidade. E exactamente por isso, por causa desse desconforto causado pelas coisas boas, pelo que dá prazer, pelo que nos vai fazer bem, saber bem, o nosso sistema nervoso convence-nos, de alguma forma que mais vale guardar a causa de tal prazer para um momento futuro, algures num futuro incerto, e tal, para ver se até lá a coisa se torna mais confortável. Mas, spoiler alert, se não trabalharmos a nossa capacidade de merecimento, nunca irá ser mais confortável receber prazer, alegria, abundância, dinheiro, etc, etc, e continuaremos a evitar essa sensação procrastinando nas coisas que nos fazem bem. Eu acho o fenómeno da procrastinação uma coisa absolutamente fabulosa. À partida, podemos pensar que é falta de disciplina, ou de carácter, enfim, uma falha qualquer da nossa personalidade. Mas a procrastinação é um mecanismo humano fabuloso que nos traz informação preciosa. Porque ao procrastinarmos em alguma coisa, no meu caso, na meditação ou na pintura, eu fico a saber que estas actividades são muito importantes para mim porque me dão medo. Medo de que tudo corra bem, medo de que tudo corra mal, numa coisa que me faz sentir tão bem, tão zen, tão na chamada “zona”. De cada vez que falo em procrastinação – que é um dos temas que vemos no meu programa Conectar para Liderar(-me), cuja próxima edição será no último trimestre de 2026 – parece que toco num nervo e as reacções das pessoas não se fazem esperar. Há muito tempo que me pedem que crie uma formação mais curta só sobre procrastinação, e por isso é com muita alegria que vos conto que esta Primavera essa formação vai acontecer pela primeira vez. Vamos ter uma Masterclass gratuita sobre procrastinação, e no final da Masterclass abrirei as portas para o Workshop de Procrastinação. As inscrições na Masterclass gratuita já estão abertas e o link para a respectiva página está nas notas deste episódio. Vemo-nos lá! Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em airdesignstudio.com e no Instagram como @air_billy. Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrevê-los na tua plataforma preferida de podcasts, ou então assinarr a newsletter em airdesignstudio.com para os receberes semanalmente na tua caixa de correio. E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós. The post Episódio 36. Porque resistimos ao que nos vai fazer bem? first appeared on air | illustration + design + creativity.