
Olá! Dou-vos as boas-vindas a este episódio do podcast "Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação". Esta semana quero falar-vos do que acredito ser um acto de resistência, e também a melhor maneira de sobreviver e viver neste mundo, como dizer, estranho e belo, mas também ruidoso e agressivo. Neste episódio mencionamos: “Stresse menos, alcance mais”, de Emily Fletcher “Trabalha a tua luz”, de Rebecca Campbell Formações para nos voltarmos a recentrar em nós Onde podem subscrever o podcast para serem as primeiras a saber quando há novos episódios. Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @air_billy. Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrever a newsletter para os receberes semanalmente na tua caixa de correio. E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós. Créditos: “Cover Girl” de Beat Mekanik Podcast Todas as terças, recebe na tua caixa de correio uma Confissão de uma super-perfeccionista em recuperação. Quero receber Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento. Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo. Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”. Olá e sejam bem-vindas a este episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”. Esta semana quero falar-vos do que acredito ser um acto de resistência, e também a melhor maneira de sobreviver e viver neste mundo, como dizer, estranho e belo, mas também ruidoso e agressivo. Quando olho à minha volta, vejo um mundo bastante mais caótico do que há uns anos atrás. Tenho a sensação de que todas (ou se calhar, em vez de todas, muitas de nós) pensávamos que depois do fim da ditadura em Portugal, da queda do muro de Berlim e da Cortina de Ferro, que o mundo traria sempre desenvolvimentos numa evolução progressiva. É verdade que o progresso não estava irmãmente distribuído por todos os continentes por igual, mas havia, de facto, um progresso. Nos últimos anos, contudo, o que tenho observado é um retrocesso em muitos campos, o que é muito assustador, diria, e também muito desregulador. Confesso-vos: penso muitas vezes em que mundo as minhas filhas irão viver, como será esse mundo daqui a algumas décadas. Eu sinto que é fácil cair no pessimismo e no cepticismo, mas hoje gostaria de vos convidar a não ir por esse caminho, apesar de a alternativa não ser fácil. Hoje quero contar-vos o que acredito ser o mais importante acto de auto-cuidado, e também o mais importante acto de resistência. Quanto mais o mundo acelera, quanto mais o mundo fica ruidoso, mais importante é, para mim, voltar ao meu centro. Recentrar-me, voltar a mim, cultivar o silêncio para poder ouvir os meus pensamentos. Na verdade, para poder não ouvir nada, a não ser a repetição do mantra dentro da minha cabeça, enquanto medito. A minha resposta para o turbilhão do mundo é, precisamente, desacelerar e baixar o volume dentro da minha cabeça. É curioso porque quando penso, “quanto mais alto o barulho lá fora, mais baixo o volume cá dentro”, ou “quanto mais rápido lá fora, mais devagar cá dentro”, isso provoca-me duas associações imediatas com duas mensagens que recebi há muitos anos atrás e que nunca me saíram da cabeça. Acho é que não sabia quão certeiras iriam ser, estes anos todos mais tarde. A primeira associação é esta: há muitos anos atrás, a minha querida prima Lena, que nos deixou há três anos atrás mas que está sempre presente na minha vida, trabalhava em atendimento telefónico ao cliente. Lembro-me de lhe ter perguntado como fazia quando lhe calhavam clientes difíceis, e o que ela me respondeu ficou gravado na minha memória. Ela respondeu-me que, quanto mais os clientes levantavam a voz, mais ela baixava a dela. Funcionava muito bem, dizia ela, porque como ela baixava a voz, as pessoas precisavam de fazer silêncio para a ouvirem. Quando ela me disse isto, lembro-me de ter pensado, “uau, é mesmo!” e ter arquivado esta informação muito importante na minha pasta mental de “material que tenho a certeza de que me vai ser muito útil na vida”. A segunda associação é de uma imagem a preto e branco de uma ilustração que não tenho a certeza mas me parece ser uma xilogravura. À distância destes anos, sabe-se lá. Esta ilustração estava num painel de cortiça, perto do telefone e do fax (sim, fax, agora imaginem ao tempo que isto foi!) do primeiro atelier em que trabalhei cá em Portugal. Este primeiro atelier foi uma experiência maravilhosa, uma escola de como trabalhar com calma, com paz e com organização. Ainda hoje considero a Margarida, a dona deste atelier e a minha primeira chefe, uma grande amiga, o que considero ser uma alegria e uma enorme sorte. Mas voltando à imagem, era uma ilustração a preto e branco de uma pessoa deitada à sombra de uma árvore, a descansar, a desfrutar da vida, a ver os pássaros e simplesmente a deixar passar o tempo. A legenda era em inglês e dizia qualquer coisa como “abrandar é a coisa mais eficaz para salvar o mundo”. Esta ilustração, com esta legenda, ali presa com um pionés no placar de cortiça, mostrou-me que o trabalho pode ser uma alegria, um prazer, um jogo, e que não tem de ser uma corrida acelerada, sempre atrás do prejuízo. E a mensagem deixou-me essa semente dentro da minha cabeça: não precisamos de andar sempre a correr para poder viver neste mundo. Em 2023, um ano muito desafiante aos níveis pessoal, familiar e profissional, comecei a fazer meditação seguindo o método do livro “Stresse menos, alcance mais”, de Emily Fletcher. Vou deixar a referência nas notas deste episódio, que podem consultar em airdesignstudio.com ou na própria plataforma de podcasts em que estão a ouvir este episódio. A pausa para a meditação, naquele período tão difícil, era uma das minhas bolsas de oxigénio diárias (assim como as minhas adoradas actividades “só porque sim”, aliás). Nessa altura, percebi de forma muito clara que a melhor maneira de lidar com o mundo a desmoronar-se à minha volta era, mesmo, voltar a mim. Cada vez que me sentava para fazer a meditação sentia um alívio enorme quando pensava: “nos próximos quinze minutos, não preciso de fazer nada. Não preciso de encontrar uma solução para todos os problemas, nem preciso de fazer absolutamente nada.” E isso trazia-me uma enorme paz. Claro, ao nível químico, dentro do nosso cérebro, esses quinze minutos tinham um efeito muito claro: baixavam o nível de cortisol, a hormona do stresse, e ao baixar o cortisol existe uma cascata de efeitos. Deixem-me explicar da maneira contrária: o cortisol é uma hormona natural que cumpre uma função na nossa vida. Quando somos confrontados com uma ameaça à nossa vida, o cortisol entra em acção para nos ajudar a tomar decisões rápidas – e a sobreviver. O que é óptimo. O que acontece actualmente é que estamos banhados em cortisol por causa do nosso contexto, da vida moderna, do stresse, enfim, de todo este mundo em turbilhão que nos rodeia. E aí, existe uma cascata de efeitos, desde o aumento dos estados inflamatórios até ao aparecimento de doenças variadas, desde as súbitas às crónicas. O que é útil em pequenas doses, como o cortisol, é péssimo em doses grandes e constantes. De maneira que a meditação tem este efeito: baixar o cortisol. E ao baixarmos o cortisol, melhoramos a nossa vida. Se precisávamos de uma explicação científica para esta ideia de recentrar-nos em nós como melhor maneira de lidar com este mundo ruidoso, aqui está ela. Voltarmos a nós, ao nosso centro, e baixar o volume do mundo à nossa volta é a maneira para nos voltarmos a ouvir a nós próprias. Criando este espaço de silêncio, conseguimos ouvir aquilo a que Rebecca Campbell chama de “sussurros da alma”, e aquilo que eu acredito serem as mensagens que a nossa criança interior tem para nos dar. Quando abrandamos e fazemos silêncio, alinhamo-nos connosco próprias e podem vir ao de cima as mensagens que temos dentro de nós e que precisam de sair. Estas mensagens são os contributos que temos para dar ao mundo. E, aqui entre nós, tenho a profunda convicção de que estes contributos que temos para dar ao mundo o vão deixar um lugar melhor do que o encontrámos. Daí ser tão importante abrandar, fazer silêncio e voltar a nós, recentrarmo-nos em nós. Ocorre-me que pode haver quem confunda esta ideia de voltarmos a nós e ao nosso centro com uma ideia egocêntrica de nos colocarmos a nós no centro do mundo. Mas são coisas diferentes: recentrarmo-nos, voltarmos a nós e ao nosso centro, é uma forma de auto-cuidado. Quando viajamos de avião e nos transmitem as normas de segurança, explicam-nos que temos de colocar primeiro a nossa máscara de oxigénio, e só depois ajudar as pessoas à nossa volta. É algo como: para podermos ajudar os outros, para podermos estar ao serviço do bem comum, temos de estar nós bem, em primeiro lugar. Não se trata de uma coisa egocêntrica, mas sim de auto-conhecimento: se eu não estiver bem, não posso ajudar quem me rodeia. Daí que abrandar e fazer silêncio para ouvir os “sussurros da alma”, para baixar o nível de cortisol, para me alinhar, sintonizar ou canalizar as mensagens que vêm de dentro e que são o meu melhor contributo para o mundo, para mim é não só uma maneira de auto-cuidado, mas também o maior acto de resistência contra quem quer fazer deste mundo um mundo ruidoso, excessivo e misógino. Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em airdesignstudio.com e no Instagram como @air_billy. Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrevê-los na tua plataforma preferida de podcasts, ou então assinarr a newsletter em airdesignstudio.com para os receberes semanalmente na tua caixa de correio. E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós. The post Episódio 47. Quanto mais alto o barulho lá fora, mais baixo o volume cá dentro first appeared on air | illustration + design + creativity.