
A 25 anos atrás na ilha do contrato, uma amiga minha, na época da da andada de caranguejo foi para o mangue, ela, sua filha e sua avó. Foram pegar caranguejos, e não perceberam que o tempo se passava e a maré enchia… elas catavam caranguejos e a maré enchia, a cada caranguejo mais alta a maré. Quando ṕerceberam… já era noite… o escuro tinha tomado conta de todo lugar… e elas, coitadas… estavam em cima do pé de mangue para se livrar de toda aquela água que inundava todo a lama do manguezal. A noite ia passando e o único barulho que se ouvia era das águas mostrando a cada momento que podia subir ainda mais, os caranguejos? Não eram mais vistos e elas muito aflitas em sua jangada de mangue, Foi então que minha amiga teve a ideia de tentar sair dali pulando entre os pés de mangue… No ouvido um zumbido estranho as impedia de se orientar e ela foi se perdendo cada vez mais! A noite já dava sinais de cansaço, a manhã parecia chegar… Mas antes de cada manhã a escuridão é quem comanda tudo… O desespero tomava conta de todas elas, quando elas ouviram um barulho de barco… a esperança reacendeu! Eram pescadores que estavam passando por ali, justo naquela hora, ouviram os gritos das mulheres e as ajudaram a sair daquela situação sãs e salvas. Mas o que realmente tinha acontecido? como se perderam dessa forma… aí é que está! elas dizem até hoje que de alguma forma foram cegadas, simplesmente não conseguiam enxergar a saída do mangue, mas no fundo elas sabiam que tudo isso foi por conta da caipora, que rondava aquele local, foi por conta da caipora que enganaram elas… História contada por Margarida Maria do Nascimento, cidade de Ituberá, Baixo Sul da Bahia.