
Em homenagem às vítimas do covarde ataque de hoje na escola de Suzano. Sou professor. Tenho alunos dessa idade. Sou pai. Tenho um filho nessa idade. E não consigo imaginar a dor que é saber que seu filho saiu de casa cedinho para ir à escola e não voltou. Passamos o dia todo mal, todos os professores que trabalham comigo. Nossos bonitinhos são bagunceiros, terríveis às vezes. Deixam-nos malucos. Mas temos um amor gigantesco por cada um, cada um que me encontra na rua e me abraça, muitas vezes já formados e homens. Hoje mesmo aconteceu no shopping. Eu já perdi alunos assaltados, assaltando, afogados e até vítimas de suas próprias vontades. É triste, muito triste. Mas, morrer na escola? Um lugar sagrado, onde você deveria estar livre da maldade dos homens e das ruas? Multiplique a tristeza. É como me sinto hoje. Destruído. Pelo fato, pelas circunstâncias, pela ausência do Estado em deixar sempre a Educação em último plano, de saber que muitos dos meus amigos professores, os mesmos que são ofendidos diariamente no congresso por parlamentares semi-analfabetos, esses amigos professores entrariam na frente sim para defender seus aluninhos. Eu entraria. Nenhum marmanjo conseguiria machucar um dos meus anjinhos bagunceiros sem derrubar o professor de 1.92 de altura antes. Mas esse vídeo não é sobre isso. É justamente o contrário. Sobre o que está faltando a esse país. Paulo, ou São Paulo, viveu isso. Teve seu chamado. Não sou ligado à religião, mas essa carta resume toda a Bíblia. Um dia pensei em gravá-la, mais para conhecer mesmo. Entretanto, não preciso. Já gravei ela inteira aqui nesse vídeo. Aliás esse vídeo é muito longo até. A Bíblia inteira se resume a uma única palavra. Amor. Segue a vida.