
Essa semana se celebra o dia do professor, e nossa próxima conversa ordinária será uma merecida homenagem para essa potente profissão. Qual o papel dxs professorxs pretxs na nossa sociedade estruturalmente racista? Qual o caminho que homens e mulheres pretos e/ou periféricos percorrem para chegar no magistério? Por que ainda é tão raro termos professorxs pretos nas escolas e universidades? Esses questionamentos já nos levam a trilhar um caminho de reflexões que nos levará a pensar a educação como “prática da liberdade”. No livro “Ensinando a Transgredir: a educação como prática da liberdade”, bell hooks faz um ensaio relatando suas experiências como professora nos EUA. “Para Hooks, ensinar os alunos a “transgredir” as fronteiras raciais, sexuais e de classe a fim de alcançar o dom da liberdade é o objetivo mais importante do professor.” Para o educador Paulo Freire o papel do professor é estabelecer relações de troca e diálogo de ensino e aprendizagem, um “encontro democrático e afetivo, em que todos podem se expressar.” Para Freire o educador se forma permanentemente na prática e na reflexão sobre a prática, buscando ultrapassar os limites de um ensino mecânico e buscando alcançar um forma crítica de compreender, de ler e reconhecer o mundo à nossa volta. Em uma sociedade estruturalmente racista e com ambientes de ensino embranquecidos, é urgente refletirmos na trajetória de pretxs ocupando os lugares sociais de estudantes ou professorxs, a fim de buscar caminhos para desconstrução das relações raciais na sociedade por meio da educação. Um exemplo de trajetória desafiante é o caminho percorrido por Lélia Gonzalez, filósofa, antropóloga, professora, escritora, intelectual, militante do movimento negro e feminista. Lélia era a penúltima de 18 irmãos. Mineira, com mãe indígena, que era doméstica, aprendeu o poder da independência. Se mudou com a família para o RJ, e foi trabalhar como babá. Posteriormente se graduou em história e filosofia, exercendo a função de professora da rede pública. Continuou sua trajetória acadêmica com metrado, doutorado, se tornou professora universitária e ocupou cargos de chefia. Quando os pretxs ocupam um lugar na academia, em escolas e também em cargos de chefia dentro de ambientes de ensino, conquistam um espaço social em muitas dimensões. A docência é um caminho de transformação, e pra além disso é um espaço de disputa de poder, de disputa de narrativas... e ocupá-los é um ato de resistência! Angela Davis, famosa filósofa americana, é um exemplo emblemático de como a permanência de corpos pretos na universidade incomoda. A primeira penalidade que sofreu por sua associação com o partido comunista americano e com os Panteras Negras, foi sua demissão do cargo de professora de filosofia da Universidade da Califórnia... e posteriormente, depois da prisão, Angela se tornou uma destacada professora de história, estudos étnicos, estudos femininos e história da consciência em diversa universidades. Um importante professor e intelectual preto se destaca: Milton Santos. Teve, como todos os pretos na estrutura educacional embranquecida, uma trajetória atravessada por questões racistas, mas que não paralisaram seus movimentos para se tornar um emblemático intelectual. Milton carregava nas suas ações e palavras a certeza de que o poder da transformação estava na periferia, e que a educação deveria ressaltar a importância de questionar, pensar diferente mesmo que isso confrontasse uma ideologia dominante branca. Em uma de suas palestras ele afirmou que “a luta dos negros só pode ter eficácia se forem envolvidos todos os brasileiros: Não cabe só aos negros fazer essa luta. Ela tem que ser feita sobretudo por todos.” Não esqueça de nos seguir nas redes sociais, visitar nosso site https://www.conversaordinaria.com.br e dar aquela força no nosso https://www.apoia.se/conversaordinaria