
Episódio 16 - 8 de Março 2022 Uma vez, uma mulher vítima de violência domestica disse isto: “A nossa relação caminhava para lado nenhum. Pior: caminhava para a minha destruição. Tínhamos uma dinâmica negativa, pesada, sofrida, louca. Era também assim que me sentia. Eu não era mulher para ele: não era obediente, nem carente, nem frustrada. Não me deixava dominar, controlar. Ele tem uma auto-estima gigantesca, que precisa de alimentar através do domínio que exerce sobre outras pessoas”. A Cátia Sofia Silva é uma mulher normal. Infelizmente, normal é também, numa sociedade com uma cultura machista fortemente enraizada, o drama da violência doméstica, de que se vão conhecendo, diariamente através da comunicação social, um rol de casos com finais trágicos para as mulheres vítimas deste flagelo social. Cátia é uma mulher de 38 anos, de estatura portuguesa. O cabelo é comprido, enrolado, cuidado. Fala pausadamente, expressa-se com rigor, e hoje ensina outras mulheres a lidar com os relacionamentos abusivos. Casou aos 18 anos e achava que era para a vida. Não o foi. Mas foram sete anos de horror contante e de medo. Nunca pensou que aquilo lhe pudesse acontecer porque as cenas de violência não são uma coisa que só acontece aos outros. Aguentou as primeiras ofensas, a primeira chapada, as inúmeras privações. Foi uma guerreira e uma dia, já gravida de um dos três filhos, disse chega! A Cátia, todavia, conseguiu ultrapassar o seu problema, libertar-se do seu drama, sair do filme de terror no qual era a atriz principal. Mas não foi fácil. Porque nunca é! Uma arma apontada à cabeça, colocada nua na rua, são apenas alguns dos momentos de horror vividos. A sua história, o seu exemplo, que esteve na origem a uma importante reportagem produzida pela TVI, podem e devem servir como inspiração para todas as mulheres que passam pelo mesmo que a Cátia passou. É esta, pois, a razão de ser da edição do seu livro: Sai da cama em que te deitas. Hoje está das Conversas com ADN para divulgar de uma história crua, dura, afinal igual a tantas outras, mas que teve um final diferente, um final feliz - e por isso é "obrigatório" que seja partilhada. 38 anos, mãe de três filhos e uma fazedora de concretizações e de crescimento pessoal para uma vida maravilhosa, mesmo com todas as curvas e desvios! Não é para todos. Sonhadora, motivadora e adn de amor sem limites, hoje é uma mulher que vive nos meus três principais valores: amor, liberdade e lealdade. A Cátia fê-lo com coragem, sem vergonha de dar a cara, e fê-lo através de uma linguagem simples e direta, que também já o faz na Popular FM, às quartas-feiras, na rúbrica GPS do Amor onde aborda estes e outros assuntos.