
No 6º episódio do Arte em Tese falamos sobre uma questão sensível para muitos estudantes: a diferença entre as habilidades trabalhadas na graduação e os requisitos que o mercado de trabalho exige. Na perspectiva da carreira musical, uma das formas que esse distanciamento se expressa é na relação com o ensino. Mesmo que os alunos de graduação tenham optado pela modalidade de bacharelado, o ensinar faz parte do percurso profissional de muitos. Essa é a discussão levantada pela tese da professora e musicista Euridiana Silva, que investigou, diretamente com os egressos de bacharelado em Música, a diferença entre a pretensão de atuação profissional que eles tinham no começo do curso, a realidade de trabalho do mercado e a formação curricular que a universidade oferece. Sua pesquisa se desenvolveu com egressos dos bacharelados de quatro Instituições de Ensino Superior no sudeste do Brasil, permitindo reflexões e comparações entre as formações curriculares e as realidades da profissão em diferentes regiões. A tese "Da arte de (re)posicionar-se: Educação Musical Superior e construções de identidades profissionais de bacharéis em música que atuam no ensino" está disponível para acesso público online no Repositório Institucional da UFMG. Sobre a pesquisadora: Euridiana Silva Souza, bacharel em piano pela Escola de Música da UFMG (2006), transitou em sua carreira profissional como educadora musical e performer, atuando como coordenadora pedagógica e consultora de projetos de ensino de música, na educação básica e em ONGs. Por sua experiência na gestão de grupos de professores de música, empreendeu sua pesquisa de doutorado, defendida 2019, sob a orientação da Prof.ª Dr.ª Heloísa Feichas, sobre a construção da identidade profissional de bacharéis em música que atuam no ensino, cruzando dados da formação superior e das experiências no mercado de trabalho. Além do trabalho de pesquisa, Euridiana atuou como professora convidada na Pós-Graduação em Voz, com ênfase em voz cantada, na Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais com aulas de Percepção Musical e Teclado na especialização de fonoaudiólogos que atuam diretamente com cantores. Atuou como professora substituta na Universidade do Estado de Minas Gerais e atualmente é professora substituta na Universidade de Brasília. Foi coordenadora pedagógica da Fábrica de Artes Instituto Cultural, projeto sociocultural de desenvolvimento musical e artístico. E atuou em diferentes formações de grupos de câmera, como duos e trios.