
Xuxa? Viviane? Adriane Galisteu? Não. A mulher mais importante da vida do piloto Ayrton Senna é Betise Assumpção. Ela foi quem acompanhou de muito perto os últimos anos de vida de um dos ícones do esporte brasileiro, mundial. Depois de uma insistência de anos, finalmente cedeu e aceitou dar entrevista ao canal. Betise vive há anos Inglaterra e recebe inúmeros pedidos de entrevista de inúmeros veículos de comunicação do planeta. Cineastas imploram por depoimentos em documentários sobre Senna ou a Fórmula 1. Ela foi assessora de imprensa de Senna. Estava ao seu lado em todos os Grandes Prêmios na Europa. De personalidade fortíssima, forjada talvez no machismo que enfrentou quando era repórter do Estado, da Folha e da revista Placar, no início da década de 90, ele enfrentou os afoitos jornalistas que cobriam Fórmula 1, em relação ao Senna. "Era uma bagunça. Um caos. Repórteres do mundo todos o metralhavam de perguntas, não o deixavam andar. Eu dividi todos em três grupos. Por idiomas, os que falavam inglês, italiano e português. De personalidade fortíssima. Sempre foi muito competente. Além de organizar as entrevistas, combinava com Senna o que deveria e o que não deveria ser dito, até onde ele poderia e deveria se expor. Ele era um piloto extraordinário nas pistas. Tricampeão do mundo, bonito, filho de família rica, de ótima formação educacional, mas a sua imagem de homem determinado, corajoso, competitivo, a ponto de enfrentar o sistema que privilegiava os europeus, principalmente quando o francês Jean-Marie Balestre comandava a Fisa, a Federação Internacional de Automobilismo, protegia Alain Prost. E se irritava com um sul-americano 'roubando' o protagonismo dos europeus. Balestre chegou a ser preso ao fim da Segunda Guerra, por seu envolvimento com o nazismo. A rejeição ao brasileiro Senna, representante do Terceiro Mundo, era escancarada. Era Betise quem colocava os limites nas declarações de Ayrton. Moldava a imagem do brasileiro, escrevia textos diários, com palavras do piloto, que chegavam a mais de 300 veículos no mundo todo. E eram publicados. Lembrando que o período era antes da Internet. Sobre a relação íntima com a Globo e com Galvão Bueno, era é prática. "A Globo tinha na Fórmula 1 um produto que era seu. O Senna era tricampeão do mundo. Explorava ao máximo. E o Galvão se tornou amigo íntimo dele. Era uma decisão do Ayrton ter essa proximidade. Foi bom para os dois lado. O que facilitou também foi o fato de o Brasil ser carente de ídolos. Como é até hoje." Ela foi a primeira assessora pessoal de um piloto na F1. Senna a conhecia do Brasil. E sabia que Betise seria a assessora, o escudo que precisava para domar a imprensa. A família de Senna, muito presente, também a aprovava. "O Senna foi a pessoa mais focada, mais intensa que eu conheci. Extremamente competitivo." Na vida pessoal, ela revela que Adriane Galisteu o deixou mais humano. "Ela era uma menina, quebrava a rigidez com que ele levava a vida. Estava ficando mais alegre, mais solto. Fez muito bem para ele." Mesmo há 32 anos, Betise lembra como se fosse hoje, o fim de semana trágico em Ímola, que Senna morreu. 'A pista era muito perigosa. Tinha várias falhas. Na sexta, o carro do Rubinho Barrichelo voou e só foi parar no ground rail. Saiu vivo por pura sorte. No sábado, o austríaco Roland Ratzenberger morreu. O Ayrton ficou abalado, como todos os pilotos. E revoltado. Criticou a falta de segurança em Ímola.' Valeram os anos de espera. A entrevista de Betise foi muito reveladora. E um mergulho profundo nos últimos anos de Ayrton Senna. Revelado por quem esteve ao seu lado. Mais do que Xuxa, Galisteu ou Viviane...