
A segunda parte da entrevista histórica com Marcelinho Carioca mergulha no Corinthians.Em tudo o que ele viveu de bom e ruim. 'Formamos mesmo uma equipe espetacular, que foi campeã do mundo. Mas eu, o Edilson, o Vampeta, o Freddy (Rincón)... Éramos um time de bandidos", diz e cai na risada.Marcelinho estava disposto a falar. Mostrar o trauma que tinha contra o Palmeiras, o 'grande rival'. Até que começou a marcar. E ganhar títulos contra o rival. Até que chegou a fatídica decisão por pênaltis da semifinal da Libertadores de 2000. 'Caí no truque do Marcos. O Pracidelli (preparador de goleiros) ficou atrás do gol gritando que eu iria rolar a bola no meio do gol. E eu ia fazer isso mesmo. Quando ouvi, quis mudar e o Marcos acertou o canto. A estratégia foi fantástica. Foi uma das piores noites da minha vida. Saí do Morumbi às três da manhã. Os torcedores tentaram virar o meu carro."Ele assume que o Corinthians virou o amor de sua vida. Acumulou títulos. Mas a saída foi lastimável. Uma armação da MSI, de Kia Joorabchian. "Eu tinha voltado por pressão da torcida. O time precisava de mim, eu estava pronto. Só que eu não era escalado. Veio a eliminação da Libertadores de 2005. A imprensa e os torcedores pedindo por mim. Mas a MSI tinha outros planos." Kia queria a saída de Marcelinho, para não ofuscar os jogadores caríssimos que contratou. Como Tevez. 'Chega em um treino, o Mascherano, do nada, me dá três pontapés violentos. Eu reajo. Sou expulso do treino. O Mascherano me chama e me diz, desculpe Marcelo. Um dia você vai entender o que aconteceu hoje. E mandam o roupeiro avisar que eu estava fora do Corinthians. O Mascherano me provocou para que eu reagisse e fosse mandado embora. Foi um descaso, uma tristeza imensa. Mas meu amor pelo Corinthians não mudou."Sobre Luxemburgo, Marcelinho detalha a guerra pública na Band. 'Foi armado. Eu estava ganhando muito espaço na tevê. Incomodando pessoas importantes. Fui de coração aberto. E o Luxa me atacou por conta de vaidade. Uma mulher que não quis ficar com ele na Bahia. Preferiu ficar comigo. Eu nunca levei mulheres para a concentração antes do jogo. Depois, muita gente leva. Antes, não. Não sou louco. E o Luxa sabe disso."Pouca gente sabe que houve a reaproximação, depois de anos. 'O encontrei em um bar. As pessoas pegaram os celulares imaginando que iríamos brigar. Mas nos abraçamos e nos perdoamos. Eu o desafiei muito como técnico. Mas ele foi o melhor que eu tive.'Quanto ao sequestro, ele foi sincero. Contou em detalhes. Chorou ao lembrar do desespero. E do medo que teve de morrer. "Foi Deus quem evitou o pior. Tomei coronhada. Fui para o cativeiro. Acreditei que minha vida iria acabar. Mas Deus surgiu na hora certa. Foi desesperador."Aos 54 anos, Marcelinho saiu com os olhos marejados da entrevista.Se expôs como nunca.Foi um privilégio para o canal.O maior ídolo da história do Corinthians mostrando seu lado humano. O que fica longe dos holofotes...