
Tupãzinho. Apelido dado a Pedro Francisco Garcia. Não por lembrar o artilheiro, habilidoso, letal que vestiu a camisa do Palmeiras, na década de 60, que tinha o apelido de Tupãzinho, por conta de seu pai, que se chamava Tupã e fez história no Internacional. "Meu nome no início da carreira era o meu mesmo, Pedro Garcia. Mas os dirigentes do São Bento disseram que não iria chamar a atenção de ninguém. E decidiram que iria mudar para Tupãzinho, em homenagem à cidade que nasci", revela. Tudo em Tupãzinho é simples, direto, sem complicações. "Eu sou uma pessoa que cresceu na zona rural. E que sempre entendeu a vida de maneira direta. É preciso ter sonho. E trabalhar muito forte para realizar. Eu sempre amei futebol, o Corinthians. E trabalhei muito para chegar aonde eu desejava. Vestir a camisa do time do meu coração, em pleno Pacaembu lotado. Ajudar o meu clube. Fazer história. E me desdobrei em campo para conseguir o que queria", relembra, orgulhoso. De físico franzino, Tupãzinho jogava futebol, quando era garoto, no Tupã Futebol Clube. Se destacou e foi jogar no São Bento, de Sorocaba. No Paulista de 1989, foi o melhor em campo em um confronto contra o seu time do coração. O Corinthians venceu por 3 a 0, mas ele foi o melhor em campo. Tanto que, quando Guinei foi contratado para a zaga do time da capital, ele foi como contrapeso. "Fomos como experiência, por três meses. E logo de cara fomos bem. Disputamos um ótimo Paulista. E veio o Brasileiro de 1990." O histórico presidente Vicente Matheus havia montado a equipe com jogadores medianos. 'Não vou mentir. Foi uma equipe para não ser rebaixada. Só que deu liga. O técnico Nelsinho chegou e crescemos de forma inesperada na fase decisiva. Ninguém acreditava na gente. O Corinthians não priorizava o Brasileiro. Mas fomos ganhando. Derrubamos favorito atrás de favorito. Ficou no caminho o Atlético Mineiro, o Bahia. Para vencer o Bahia tivemos de enfrentar até bonecos de vodu, que colocaram no vestiário. O meu tinha agulhas nos joelhos, no ombro, na cabeça, lá em Salvador. Ninguém ligou, porque sabíamos que fariam isso para nos abalar. Ganhamos e chegamos na final contra o São Paulo do Telê Santana, que tinha uma seleção", relembra. Tupãzinho admite que o histórico time jogava para o Neto. Quase como a Argentina faria em 2022, no Catar, com Messi. 'Ele tinha um poder de decidir os jogos. E jogava mais à frente para definir os lances. A bola parada dele era mortal. Assim como seus lançamentos. Além disso, o Neto era um dos líderes do time.' Mas, por melhor que tenha sido o Brasileiro de Neto, a história reservava a Tupãzinho o privilégio de fazer o gol decisivo que mudou a história do Corinthians. 'Antes, o clube só pensava em ser campeão paulista. Quando eu peguei o rebote do chute do Fabinho, que bateu no Cafu, deu o carrinho. E quando a bola passou pelo Zetti e, foi para as redes, vi meu mundo mudar.' E do Corinthians. O clube passou a ter objetivos muito maiores do que o provinciano prazer de lutar para se impor 'no quintal', em São Paulo. A conquista do Brasileiro fez tudo mudar de ponta-cabeça. E logo, em 1991, veio o precipitado e fracasso plano 'Rumo a Tóquio'. E na Libertadores de 1991, o time entrou como se fosse a competição mais fácil. E acabou passando vexame, eliminado nos primeiros jogos eliminatórios, para o Boca Júniors. Muitas emoções estavam reservadas a Tupãzinho. A pior delas. 'Perder a final do Paulista de 1993, quando vencemos o primeiro jogo contra o Palmeiras. E o Viola imitou um porco. No jogo decisivo, eles ganharam por 4 a 0. E acabaram o jejum de títulos (16 anos) bem em cima de nós. A torcida do Corinthians queria invadir o ônibus, o hotel onde estávamos. Queriam bater na gente. Foi o pior momento da minha carreira."