
Num pequeno apartamento na Rua da Alegria, no Porto, em 2007, uma discussão de fim de ano entre mãe e filho transforma-se numa tragédia silenciosa. Este é o brutal caso familiar de Henriqueta C. (67 anos) e do seu filho, Eugénio A. (37), onde o álcool, o ressentimento e o isolamento se misturaram até ao limite. Após Eugénio atirar uma garrafa à mãe, deixando-a inconsciente, ele fez o impensável: não chamou ajuda. Durante os dois dias seguintes, Henriqueta permaneceu no chão, entre a vida e a morte, enquanto o filho a ignorava. A morte não veio com o golpe, mas sim com a espera. O tribunal classificou a indiferença de Eugénio como homicídio qualificado por omissão, pois não foi o traumatismo craniano que a matou, mas sim o abandono e a falta de assistência médica. Descubra o caso onde a indiferença é também uma forma de matar, provando que, por vezes, o perigo mora connosco.