Converso com Thiago Lopes, engenheiro químico com mais de 18 anos em sustentabilidade de cadeia produtiva, que já auditou fornecedores por todo o Brasil e América Latina.
A gente fala do que vem junto quando alguém compra uma réplica: trabalho análogo à escravidão, oficinas sem licença, efluente químico despejado sem tratamento num setor que já é o segundo maior poluidor do planeta. Um estudo da OCDE deste ano liga esse mercado, de quase 500 bilhões de dólares, a trabalho forçado e infantil.
Falamos também do que quase ninguém discute: mais de 75% do falsificado apreendido na Europa é destruído, porque um tênis tem cerca de 20 matérias-primas coladas e costuradas e é quase impossível reciclar. E do outro lado, a indústria formal saiu de 100 litros de água por calça jeans para ciclos de 4 a 8 litros.
No fim sobra uma pergunta incômoda: por que quem mais cobra sustentabilidade das empresas é quem compra réplica sem pensar duas vezes?