
 O vitorioso sufoca o derrotado O milionário se alimenta do miserável O banquete precede à fome O sorriso esconde a lágrima Devir da sobrevivência, opaca existência Um caminhar que busca sua essência Perdido na pura vida da indecência Conquistas, derrotas sem procedência Na vida tudo e todo que deixa de servir Vira descarte, prossegue, para o fim do devir Não há misericórdia ou condolência O inútil se perde em sua indecência Sem lágrima, sem saudade, sem lealdade Visão dura da vida ou reflexo da realidade São corpos dóceis e inúteis nas calçadas São almas lançadas na existência calada O inútil, a inútil, o ajudante, a ajudante A plasta que mendiga o pútrefo errante Existentes, sobreviventes, amantes Sabem que nenhum dia é como antes