
Ser aquela mosca, que fora de mim vê o que eu não posso ver. Ser aquele corpo, que sob ou abaixo do meu encontra seu gozo. Estar presente no momento exato que falam de mim e falar de mim. Falar de mim, como um outro eu e assim pontuar todos defeitos meus. Encontrar comigo na rua e olhar para meus surrados olhos castanhos. Ver o esbranquiçar de meus cabelos, o nascer de minhas rugas, belas rugas O desejo de desejar algo que nunca serei ou terei, apenas desejar, amar O despejo do meu ego, dos egos que dizem que carrego, dos que carrego No abandono deles, encontrar o ego que não conheço, mas que me revela O olhar alheio, para que seja meu e assim imerso em mim, me ver sem espelhos