
Muitos religiosos dizem que sou um inseto invertebrado, digo: um cético inveterado, com um acentuado déficit intelectual a nível executivo e que fechei minha mente à verdade. Mas se Loeffler disse: “Tão surpreendente quanto à naturalidade das pessoas em emitirem juízo sobre algo que pouco sabem, é seu desinteresse em melhor informarem-se”, não fica claro que o conhecimento real, é saber a extensão da própria ignorância para não aceitarmos cegamente uma coisa, rejeitando sem fundamento a outra? Se o senhor concorda, perceba que com um pouco de lógica se digere a Ciência, mas para se compreender e aceitar o significado teológico da existência de Deus é necessário adormecer a razão e consequentemente o espírito crítico para engoli-la, pois esbarra numa ampla gama deievidências antagônicas indigestas, tais como: o senhor sabe que a realidade histórica e a doutrina teológica juntas permanecem, ou juntas caem por terra. E baseado que a “estória” bíblica não é histórica, que são mitos plagiados de outras civilizações, não está mais do que provado que Adão e Eva realmente não existiram e que isso acaba com o mito da criação? Sei que como teólogo o senhor e muitos religiosos entendem esta passagem de Adão e Eva como uma parábola, mas se analisada de maneira lógica e sistemática, percebe-se que essa história deixa várias questões essenciais sem resposta e complica ainda mais a própria noção da existência de Deus, por ser proposição de índole metafísica por residir nas fronteiras de nossa capacidade intelectual.