
Ser ateu, não é só tentar dar sentido a sua vida, se apoiando no conhecimento científico, como uma fonte de resposta definitiva, ou como um ponto de apoio para vivermos nossa existência nesse mundo, ausente de sentido. Ser ateu, também é ter uma preocupação com esta vida e um compromisso de dotá-la de sentido, através de um melhor conhecimento da nossa história, das nossas conquistas intelectuais e de nós mesmos. Por isso gostamos mais da realidade desta vida, que da utopia da outra. Pois sabemos que as nossas vidas não se resumem a uma fantasia contida no mundo dos sonhos sobrenaturais. Mas sim, o reflexo do processo de um mundo natural, onde não é preciso se aventurar fora dele, para se encontrar a vida real, ou para descobrir que estar vivo, não é a mesma coisa que vivê-la. Mas ser ateu, não é pretexto para sentir orgulho e nem vergonha, da mesma forma como não vejo razão para alguém se orgulhar de ser negro, branco, gay, hetero, judeu, índio, mulher ou nordestino. Orgulho deveríamos ter, é da nossa capacidade de realizar sonhos e ações pensando no bem-estar das pessoas ao seu redor e de nossas conquistas pessoais, que possam nos inclinar para o altruísmo, não de fatores genéticos que estão além da nossa capacidade de esc(x)lha, que em muitos casos nos tornam soberbos, a ponto de estereotiparmos principalmente aqueles que diferem de nós.