
Os críticos rejeitam a autoria paulina desta carta porque não conseguem encaixar os acontecimentos aqui registrados no livro de Atos, supondo que Paulo foi martirizado ao final de sua primeira prisão em Roma. Paulo, viajando para a Macedônia, rogou a Timóteo que permanecesse em Éfeso para admoestar certas pessoas que estavam ensinando doutrinas falsas. 1 Tm 1:3 O apóstolo fala sobre três responsabilidades do ministro: ensinar a sã doutrina (1.1- 11), proclamar o evangelho (1.12-17) e defender a sã doutrina (1.18-20). Em primeiro lugar, a missão de Timóteo. 1 Tm 1:3 —A igreja de Éfeso estava ameaçada por falsas doutrinas e corria sérios riscos em virtude da infiltração de perigosas heresias. Timóteo precisava admoestar as pessoas que se haviam infiltrado na igreja para pregar uma mensagem heterodoxa. A sã doutrina é absoluta e não admite que outro evangelho seja pregado. Nada é mais nocivo para a saúde espiritual da igreja do que as falsas doutrinas. Ninguém é mais perigoso para a igreja do que os falsos mestres. Em segundo lugar, o conteúdo da falsa doutrina. — Uma falsa doutrina pode ser a negação de uma verdade da fé cristã ou mesmo uma adição a ela. 1 Tm 1:3b Que doutrina seria essa que se infiltrava na igreja por intermédio de certas pessoas? O texto deixa claro que havia um pano de fundo judaico, pois Paulo menciona fábulas e genealogias sem fim (1.4) e acrescenta que esses falsos mestres pretendiam passar por mestres da lei (1.7). Em terceiro lugar, as características da falsa doutrina. — A forma como essa doutrina aborda a lei é oposta ao que o evangelho requer. Ela leva a errar o alvo e conduz as pessoas para longe da verdade do evangelho. Não edifica, não promove, mas destrói. Isso pode, durante muito tempo, passar despercebido tanto a iniciantes quanto a ouvintes e adeptos. O efeito destrutivo é secreto e sorrateiro, expandindo-se lentamente como uma infecção cancerosa. Por isso, é preciso enfrentar essa doutrina abertamente e com a autoridade do Senhor. Outra característica da falsa doutrina é que ela provoca inúmeras discussões. As pessoas deleitam-se em travar debates e mais debates, provocando discórdias em torno de palavras. A doutrina dos falsos mestres não faz nada disso. O que ela faz é promover a especulação e a controvérsia. Paulo é categórico em dizer que os falsos mestres não entendem o que dizem nem os assuntos sobre os quais fazem ousadas asseverações (1.7). Os judaizantes declaram que aqueles que não guardam a lei não podem ser salvos (At 15.1,5). Ainda hoje muitos alegam que quem não for batizado, não guardar o sábado, não frequentar esta ou aquela igreja, não fizer penitência ou boas obras não pode ser salvo. Esse é um terrível engano. As boas obras não são a causa da salvação, mas sua consequência. Não guardamos a lei para sermos salvos, mas porque fomos salvos pela graça. Uma pessoa não se torna cristã por fazer boas obras, mas faz boas obras por ser cristã. Todo que se coloca debaixo da lei está sob a maldição da lei. A lei condena à morte aqueles que falham em observar seus preceitos. Uma vez que nenhum ser humano consegue guardar a lei, todos estão condenados à morte. Cristo, porém, redime da maldição da lei àqueles que creem, fazendo-se ele mesmo maldição em nosso lugar (G1 3.13) Pastor Valter dos Santos / IEQ sede