
Como Deus falara a Paulo no dia de sua conversão, no caminho de Damasco, estava Paulo agora na presença de reis, dando testemunho de sua fé. Numa reunião cheia de pompa e luxo, Paulo é levado à presença de Agripa e Berenice para seu quinto julgamento. Esse é o maior e o mais elaborado de todos os cinco julgamentos. Paulo diante do governador Festo e do rei Agripa descreve a cena em detalhes, e a defesa de Paulo é mais polida em estrutura e linguagem do que as outras. Paulo era pequeno e pouco atraente, calvo, com sobrancelhas salientes, nariz adunco e pernas tortas, mas mesmo assim “cheio de graça”. Não vestia manto nem coroa, apenas algemas e talvez uma túnica simples de prisioneiro; mesmo assim dominou a corte com sua dignidade e confia. Paulo está diante de Herodes Agripa II, o último de sua dinastia a governar, ou seja, o último representante da família herodiana. Essa família era mundana, ambiciosa, violenta e moralmente corrupta, e geração após geração opôs-se à verdade. Herodes, o Grande, tentou matar o menino Jesus. O seu filho Herodes Antipas, tetrarca da Galileia, decapitou João Batista e escarneceu de Jesus. Herodes Agripa I mandou matar com espada o apóstolo Tiago, o filho de Zebedeu, e prender Pedro em Jerusalém. Agora, Paulo está diante de Herodes Agripa II. Em sua consistente defesa, Paulo faz uma retrospectiva de sua vida, no seu mais longo discurso registrado no livro de Atos. Paulo deixa claro que seu passado era conhecido de todos. Paulo conta sua tenebrosa história como carrasco da igreja. Paulo fala a Agripa sobre sua experiência no caminho de Damasco e como Jesus apareceu-lhe com grande fulgor e poder. Ali, na estrada de Damasco, Paulo viu uma luz (26.12,13) e ouviu uma voz (26.14-18). Mesmo sendo um rabino judaico, douto na lei e zeloso da tradição de seus pais, ele vivia em densa escuridão e profundas trevas espirituais. Havia estudado a lei, mas não compreendia que seu propósito era levar o homem a Cristo. Paulo confessa a Agripa que não foi desobediente à visão celestial, mas prontamente e com senso de urgência começou a anunciar o evangelho aos judeus em Damasco, ao povo de Jerusalém e em toda a região da Judeia, e também aos gentios. O testemunho de Paulo provocou a reação imediata de Festo, que o interrompe aos berros. Festo chamou Paulo de louco, pensando que as muitas letras o haviam feito delirar. O réu encurrala o juiz e coloca-o num beco sem saída ao lhe fazer uma pergunta direta: Acreditas, ó, rei Agripa, nos profetas? Antes de Agripa respirar, Paulo mesmo dá a resposta: Paulo foi absolutamente destemido no testemunho de sua fé em Cristo tanto perante os governadores Félix e Festo quanto perante o rei Herodes Agripa II. Paulo testemunhou com desassombro acerca de seu encontro com Cristo e de seu comissionamento aos gentios. Proclamou com convicção tanto a morte quanto a ressurreição de Cristo como cumprimento das Escrituras. Paulo não contemporiza, mas exorta o rei Agripa dizendo que a posição que ele estava assumindo era a mais insensata e arriscada. O sensato seria tornar-se como Paulo e seguir suas pegadas, exceto suas cadeias. O que Paulo está dizendo ao rei e também aos outros presentes nessa audiência é que ele não inveja a posição nem o poder deles e, exceto pelas algemas, está em situação muito melhor. Os juízes falam entre si (26.31). Os juízes ficam convencidos da inocência de Paulo e emitem seu parecer. Para eles, Paulo não era passível de morte, como queriam os seus acusadores.