
Há dias em que a nossa oração parece impossível. O pensamento se dispersa, a imaginação não sossega, as palavras não encontram lugar dentro de nós. E podemos chegar a pensar que não sabemos rezar.No capítulo 26 de Caminho de Perfeição, Santa Teresa de Jesus nos conduz por outro caminho. Ela conhece por experiência essa dificuldade de recolher o pensamento e, por isso, não nos oferece uma oração complicada. Ela nos convida a algo muito mais simples: olhar para Cristo.“Não vos peço senão que olheis para Ele.”Olhar para Ele quando estamos alegres e contemplá-Lo ressuscitado. Olhar para Ele quando estamos feridos e encontrá-Lo no Horto, na coluna, no caminho da cruz. Permanecer junto daquele que permanece junto de nós.Há algo ainda mais profundo nesse olhar: Cristo já está olhando para nós. Teresa nos recorda que o Esposo não desvia os olhos da alma. Mesmo quando nos dispersamos, mesmo quando caímos, mesmo quando não sabemos o que dizer, Ele continua presente.Por isso, rezar também é aprender a permanecer. Voltar. Recomeçar. Acostumar o coração à companhia daquele que Teresa chama de “tão bom Amigo”.E, pouco a pouco, podemos aprender a dizer com ela:“Andemos juntos, Senhor; por onde fordes, tenho de ir; por onde passardes, tenho de passar.”Neste episódio, seguimos com Santa Teresa de Jesus pelo caminho do recolhimento, descobrindo que a oração não começa quando conseguimos pensar perfeitamente em Deus. Ela começa quando voltamos os olhos para Aquele que nunca deixou de nos olhar.