
Nazaré, 1 de março de 2023 Hoje em dia ouvimos muita gente qualificada falar de políticas de mobilidade, mas já no final do século XIX a Nazaré era uma terra muito procurada por forasteiros, a quem era preciso facilitar o acesso ao Sítio e houve uma obra que alterou o paradigma da mobilidade na nossa terra. É preciso perceber que ainda não tinha havido milagre de Fátima e, para os mais distraídos, sobretudo aqueles que julgam que só agora a Nazaré ganhou escala no turismo, que no Sítio existe o mais antigo santuário mariano da Península Ibérica. Foi para servir os peregrinos e a população local que se construiu o Ascensor do Sítio, que fez a primeira viagem em 1889, ou seja, há mais de 130 anos e continua a ser um dos ex libris da nossa terra. É um equipamento estrutural para a vila e de uma beleza ímpar, cuja vista para a nossa praia deixa estarrecido qualquer visitante. Tal como tantos outros jovens nazarenos, tive a sorte de trabalhar no Elevador nas férias de verão, juntando alguns escudos que ajudavam a família a suportar as despesas da universidade. Foram apenas dois anos, mas foi um período marcante, pois permitiu-me lidar com profissionais dedicados, conhecer, por dentro, a forma de funcionamento daquele serviço e, sobretudo, perceber a relevância daquele serviço para a nossa comunidade. Há uns anos, as velhas carruagens vermelhas, tão emblemáticas na nossa paisagem, foram substituídas por novas carruagens, com um design mais moderno, mas sem a alma de outros tempos. Confesso que tenho saudades das carruagens vermelhas e tenho a certeza que não serei o único. Até porque já encontrei outros ascensores, nomeadamente em Bilbau, no País Basco, e Bérgamo, em Itália, precisamente com o mesmo princípio de carruagens que se cruzam a meio da subida, mas, em ambos os casos, vermelhas. Há coisas que não deviam mudar.