
Nazaré, 2 de março de 2023 Os especialistas chamam-lhe, agora, alojamento local, e tem direito a placa identificativa e tudo. Mas para nós a coisa é mais simples e chama-se apenas e só “chambres”. E também aqui a nossa terra é precursora, pois há muitas décadas que, durante a época alta, os nazarenos introduzem rendimentos na economia real das famílias com o aluguer dos quartos ou das casas. E quantos de nós viveram essa realidade na pele? No meu caso, os meses de verão eram passados no sótão da família materna para ser possível alugar o 1º andar aos palecos. Na família paterna, a mudança era bem mais significativa, pois tínhamos de ir todos para a “cabana” ali na Rua dos Calafates. E ali estávamos durante três meses, vivendo num punhado de metros quadrados, mas mais unidos que nunca. A situação evoluiu e, hoje em dia, esses sacrifícios já não fazem tanto sentido, mas as chambristas, que chegaram a ter má fama, continuam a dar cor às nossas ruas. Com o andar da carruagem, os estigmas foram ultrapassados e, hoje em dia, a atividade está bem enquadrada, há plataformas digitais que permitem gerir melhor o negócio, e, além disso, como as mulheres da Praia são umas vaidosas, os quartos que alugam aos turistas são verdadeiras suítes de fazer inveja a muitos hotéis de cinco estrelas… Hoje em dia, com o crescimento exponencial do turismo, o alojamento local ganhou uma nova expressão, havendo mesmo dados que indicam que quase metade das dormidas turísticas no nosso país, o que é um dado muito significativo em termos económicos. E há quem tenha, inclusivamente, mudado de vida para ser chambrista. Aliás, proprietários de alojamento local…