
No podcast de hoje eu sugiro para leitura três grandiosas poetas brasileiras do século XX, as quais aprecio bastante e ainda tenho o gosto de estudá-las em minha pesquisa de doutorado do Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Letras, da Universidade Federal de Goiás. Seguem abaixo os três poemas lidos, respectivamente: Poema I - Sem título Não existe amanhã... Amanhã será um grande dia triste como o dia de hoje. Amanhã, vou chegar perto daquela árvore ao lado do rio, e de qualquer outro modo me matarei. Não importa o que os amigos vão dizer nem a decepção que Augusto meu grande e maior amigo vai ter. Talvez eu precisasse dizer aos outros muita coisa, mas seria inútil porque nem o homem, nem a mulher amiga, haveriam de realizar o sentido imenso dessa minha conclusão. Eu desejei amigos e livros: Tive. Desejei amor, também tive... apesar de ele nunca ter dito. Amanhã desejarei morrer. Mas vou morrer sem barulho, docemente e ninguém vai descobrir o quanto eu compreendi para chegar ao final. Escutem meus amigos: A morte é grande muito grande, imensa, e se todos compreendessem, haveriam de morrer sem barulho, docemente como eu. Vou matar-me amanhã. E que dia comprido o dia de hoje. Poema II - Fala Tudo será difícil de dizer: a palavra real nunca é suave. Tudo será duro: luz impiedosa excessiva vivência consciência demais do ser. Tudo será capaz de ferir. Será agressivamente real. Tão real que nos despedaça. Não há piedade nos signos e nem o amor: o ser é excessivamente lúcido e a palavra é densa e nos fere. (Toda palavra é crueldade.) Poema III - Sem título O tempo fecha. Sou fiel aos acontecimentos biográficos. Mais do que fiel, oh, tão presa! Esses mosquitos que não largam! Minhas saudades ensurdecidas por cigarras! O que faço aqui no campo declamando aos metros versos longos e sentidos? Ah que estou sentida e portuguesa, e agora não sou mais, veja, não sou mais severa e ríspida: agora sou profissional.