
Situado ao norte da cidade de Porto Alegre, o 4º Distrito (4D) é uma região urbana histórica que foi o centro da atividade industrial e social até 1970. A partir dessa década, com a intensa desconcentração industrial de POA, o 4D passou a ter um ciclo contínuo de perda de dinamismo socioeconômico-industrial, acompanhado por uma deterioração gradativa de sua infraestrutura e a subutilização de seu ambiente construído. Esse cenário se mantém até hoje entre os bairros que compõem o 4D (Floresta, São Geraldo, Navegantes, Farrapos e Humaitá). Além de habitar em ocupações informais, marcadas por irregularidade fundiária, insegurança da posse e ausência ou carência de serviços públicos essenciais, a maioria daquela população da porção norte do 4D mora em condições habitacionais inadequadas. Para além disso, trata-se de uma região altamente suscetível a alagamentos e inundações. Esse cenário vivido por quem mora, trabalha e frequenta o 4D faz com que a população da cidade e até o próprio poder público municipal considerem o território do 4D como abandonado. Mas esse estigma, ao mesmo tempo, revela indícios de um descaso intencional, com vista a baixar o valor do metro quadrado no território, para que o setor imobiliário, que tem grande interesse na região do 4D, adquira terrenos. Estima-se que sejam mais de 10,5 mil pessoas vivendo em condições de extrema vulnerabilidade socioeconômica, quase 20% da população total do território do 4D. Para ler o relatório na íntegra, em formato pdf, clique AQUI. >>> Saiba mais: Este episódio é a versão em áudio de um dos casos relatados no documento “Violações dos direitos humanos no Brasil - Relatório de casos com denúncias e recomendações”, publicado em 2025 e que é resultado da ação de monitoramento de casos de violações dos direitos humanos no país. A ação é uma realização da Articulação para o Monitoramento dos Direitos Humanos no Brasil (AMDH), sob coordenação do Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH Brasil), do Processo de Articulação e Diálogo para a Cooperação Internacional no Brasil (PAD) e do Fórum Ecumênico ACT Brasil (FEACT Brasil). Conta com participação direta de cerca de 100 organizações, coletivos e movimentos sociais que atuam com direitos humanos. Ao todo, a versão em áudio do relatório está disponível em sete episódios que trazem, essencialmente, a segunda parte do documento (leia a íntegra AQUI). Além do episódio de apresentação do documento, há seis casos denunciados. >>> Ficha técnica Versão em áudio do relatório “Violações dos direitos humanos no Brasil - Relatório de casos com denúncias e recomendações” (2025), produzida pela Rádio Tertúlia, em parceria com a AMDH - sob coordenação de Eneias da Rosa, Manoela Nunes e Gilnei da Silva. Direção criativa, locução, edição e sonorização: Beatriz Pasqualino. Edição e apoio de locução: Rafael Garcia.