
Não precisa de criatividade. Aquelas piadas que o pessoal fala, ah, o Ubisoft fez um monte de jogo igual um atrás do outro, lançava todo ano um Assassin's Creed, um God of War, um Gears, um sei lá o quê, esses jogos que viram uma série meio no automático, que alguma hora começa a não se importar muito se está sendo criativo ou não, mas só está querendo girar a máquina. E esse girar a máquina é o tiro no pé, porque existe uma necessidade do capital de se reproduzir constantemente, sempre em ampliação. Isso é uma demanda. Por quê? Porque o acionista, se a indústria do videogame não tiver sempre crescendo, ele tira o dinheiro dele dessa ação e vai botar em ação de outra coisa, vai, sei lá, botar em uma fábrica de carros elétricos, vai botar em uma indústria de energia eólica, ele vai botar em qualquer lugar. O capital é móvel, ele não tem compromisso com nada. Então, a indústria fica refém disso. Isso leva para essa crise criativa um pouco que a gente está batendo agora, por isso que tem muitos estúdios fechando, porque a indústria está chegando num ponto que não tem muito para onde fugir, ela vai parar de crescer igual crescia antes. E começa, pelo menos, a bater no teto, se não a diminuir. E aí, nesse sentido, eu acho muito engraçado, porque aí tem essas terminologias que os Estados Unidos gostam muito, que é o AAA, que é uma coisa muito de mercado. Eles usam isso para tudo, usam isso para o mercado imobiliário, usam isso para fazer rating, para fazer um escalonamento. Acompanhe o Diálogo infinito sobre games via WhatsApp. Com João Varella, Alexandre Sato, Thomas Kehl, Marcos Kiyoto, João R e Marina Andreoli 2 analógicos