
“Nada mais parecido com um fascista que um pequeno burguês assustado” – Brecht Assim nasce o conservador De todos os invernos De todas as noites sangrentas De todos os infernos De todos os céus desterrados de perdão. De toda obediência burra Ao oficial, burocrata, À coroa, ao cetro, Ao papa, ao cura. De todo medo “Agora não, ainda é cedo”, de todo gesto invertido para dentro, de toda palavra que morre na boca. Do obscurantismo, de todo preconceito, de tudo que te cega, de tudo que te cala, de tudo que lhe tolhe, de tudo que recolhes, de tudo que abdicas, de tudo que te falta. Um beijo o assusta, um abraço o enfurece, a dúvida o enlouquece, a razão se esvanece no vácuo. Germina, assim, uma impotência tão grande, que deforma as feições e torna tenso o corpo, o dedo em riste, a veia que salta no pescoço, a boca transformada em latrina. Assim nasce o conservador. Ele teme tudo que é novo e se move. É um ser frágil, arrogante, assustado… e violento. Por Mauro Luis Iasi