
Encontros com o Espírito do Lugar Milénios de antropocentrismo restringiram a perceção da nossa existência ao contexto humano, e a importância dos territórios e do mundo mais que humano prende-se, nos nossos dias, somente com a serventia ou utilidade dos mesmos na visão humana. Porém, muitos dos vazios que trazemos dentro ganham a forma de saudade, seja dessa conexão sagrada com algo que mal sabemos explicar ou de um sentimento de pertença que parece nunca chegar. Talvez algures, nesses vazios, ansiemos pelo regresso das paisagens à nossa estória. Os lugares a que pertencemos, os que se entrelaçaram na psique, forjando-nos com as mesmas matérias da rocha, dos ventos ou das marés. Os territórios e os seus espíritos entranham-se nos mitos, nas culturas e naqueles que respiram os seus ares. São, por isso, as tramas onde tecemos o mito pessoal. Esquece-los é contar as estórias pela metade e perder as bênçãos e os desafios do espírito do lugar. Élia Gonçalves Psicóloga, diretora criativa na Escola de Desenvolvimento Transpessoal, escritora, contadora de estórias, facilitadora de círculos de mulheres e arqueologia feminina, investigadora de mitologia e ervas. Vivo na serra algarvia com as minhas filhas, os meus gatos e as minhas plantas, mas nasci e fui criada junto ao mar, onde as dunas, as marés e as estrelas forjaram a minha existência e as minhas narrativas. Inspiram-me as metáforas, os símbolos e as paisagens e respiro estórias a cada dia. Quando não as leio, ouço ou vejo, conto-as, grande parte das vezes, a mim mesma. Autora do Mito de Ophídia. Sobre o encontro aqui. Sobre o livro aqui.