
Por uma cartografia dos ritmos regenerativos A colonialidade do poder – projeto ocidental do mundo -, persiste e é sustentado por outro tipo de colonialidade, invisível: a do saber e a do pensar. Assim, a manutenção de um tipo de subjetividade, forjada, monocultural, constitui-se a matéria-prima principal da produção de um mundo. Criamos movimentos alternativos e ancestrais, com o intuito de desterritorializar a subjetividade, mas que, não poucas vezes, manifestam-se como formas de reterritorialização de um tipo de lógica. Guattari e Rolnik (1986) evidenciam pistas de uma cartografia do desejo e do inconsciente, no campo micropolítico, sustentando as lógicas que se quer romper. Ir ao reencontro de uma Eco-Mitologia implica em um trabalho de regeneração de um tipo de consciência, com potência pra ser matéria-prima de outras relações vitais. O desafio é que este caminho-processo-cartografia também supõe uma forja e uma política, no sentido de irmanar as formas de fazer com as formas de pensar. “Reflorestar” o pensamento passa por uma “artesania dos afetos” (Geni Nuñez, 2020), pela invenção de outra leitura de mundo (Freire, 1986), por outra gramática e seus verbos, na compreensão de que há um conformismo linguístico na base de todos os conformismos (Larrosa). Viver e pensar são dimensões indicotomizáveis. Como romper com a “reencarnação dos modelos domintantes”? (Guattari, Rolnik, 1986). Qual a matéria-prima na produção de uma consciência eco-mitológica? Estamos nas pistas de ritmos regenerativos! Maristela Barenco Corrêa de Mello Formada em psicologia e teologia, com doutorado em ciências ambientais. Trabalhou 20 anos com direitos humanos no Brasil. Pós-doutorado (2019-2020) em questões da sociedade do desempenho e a importância de uma política de ‘cuidado de si’, idealizando, a partir daí o Canal Mil-em-Rama de podcasts. Estuda temas interdisciplinares, com foco em subjetividade e decolonização das lógicas e escritas acadêmicas. É professora univesitária (UFF), e colunista da Revista Vento e Água. Sobre o encontro aqui. Sobre o livro aqui.