
Antes do fim do primeiro semestre, em meio a pandemia, já temos números superiores a 55% do desmatamento na Amazônia em relação ao ano de 2019. Isso que nem chegamos aos meses onde o desmatamento eleva-se e as queimadas se intensificam, de junho a outubro. Em meio a esses números, uma série de ações de governo federal, ao invés de serem na direção da sustentabilidade e conservação da floresta, andam na direção contrária, gerando ainda mais pressão sobre as áreas protegidas, colocando em xeque, cada vez mais, o poder de fiscalização de órgãos ambientais que estão sendo enfraquecidos. Só no último mês, houveram medidas que excluem direitos de povos indigenas sobre processos de homologação de terras, exonerações de chefes do Ibama que ordenavam operação de fiscalizações e ainda outras medidas que visam garantir a posse de terras com base em documentos declaratórios e de baixa segurança jurídica. A quem essas mudanças interessam? Aos agricultor familiares ou beneficiários da reforma agrária? Indigenas? Extrativistas? Quilombolas? Alguma população pobre do campo? Ou a grandes invasores e grileiros de terras que defendem o aumento da produção agrícola, quando na verdade apenas especulam a terra que é patrimônio público, do povo brasileiro, como se fossem deles. Em uma analogia, é como se entrássemos em um prédio público, colocássemos uma porteira na fachada, se dizendo a partir deste momento que é dono daquele prédio. É como se mais de 15 anos de esforços e investimentos da cooperação internacional, governos, instituições de pesquisa, ONGs, e o suor de muitos fiscais ambientais e policiais que se esforçam país afora para combater o crime ambiental organizado fosse jogado na lixeira. Algumas destas pessoas, já foram agredidas, ameaçadas e até mesmo assassinadas em conflitos com criminosos ambientais. Grande parte da sociedade, que já passa por situações de risco devido aos desequilíbrios ambientais, gostaria de ver, ouvir ou saber de alguma política pública que tenha sido favorável a sustentabilidade do país nos ultimos dois anos. Não apenas uma fiscalização civil-militar emergencial - a LGO por exemplo, que ajuda a enxugar gelo. Gostaria de saber quais são as ações concretas, planejadas, articuladas, de fortalecimento da política ambiental brasileira, e mais ainda para proteção da Amazônia, a qual tem um conselho sem participação social. A participação da sociedade sempre foi fundamental para redução dos indices de desmatamento que haviam sido alcançados. Cada vez mais o discurso: Economia acima de tudo e Meio ambiente abaixo de todos tem encorajado o crime ambiental a atirar pedras na cara das autoridades ambientais brasileiras. Algo trágico para todo suado avanço que havíamos conquistado. Marcelo Lucian Ferronato CBN Amazônia - Porto Velho-RO. 12/05/2020