
Bioeconomia é um modelo de produção industrial baseado no uso de recursos biológicos. A Amazônia abriga a maior floresta tropical do mundo. Esse imenso patrimônio natural, associado ao conhecimento milenar das populações indígenas e ao conhecimento científico acumulado por décadas de pesquisas, é elemento chave para um novo e promissor modelo de desenvolvimento. O novo modelo se baseia no enorme potencial de aproveitamento econômico dos ativos biológicos, biomiméticos e ambientais da Amazônia. Este potencial ainda precisa ser compreendido e valorizado pela maior parte da sociedade. Para trazer à tona este potencial e transformá-lo em resultados efetivos e em benefícios tangíveis, é preciso investir de maneira intensiva em ciência, inovação disruptiva, tecnologia e informação. Existem várias propostas de políticas sustentáveis, que preservem a floresta e gerem riqueza para a Amazônia Tão importante quanto o combate à criminalidade ligada ao desmatamento na Amazônia é a avaliação que se pode fazer hoje de seus resultados econômicos e socioambientais. Existem várias propostas de políticas sustentáveis, que preservem a floresta e gerem riqueza para a população da região. Muitas estão no Congresso, outras em trabalhos acadêmicos. A proposta é um modelo de desenvolvimento econômico que integre a atual vocação da Zona Franca de Manaus (AM) e seu parque industrial à inovação tecnológica e ao uso sustentável da biodiversidade amazônica. Com pouco mais de R$ 7,15 bilhões investidos em infraestrutura física ao longo de dez anos – ou seja, menos de um terço do incentivo fiscal anual dado à ZFM –, a criação de empregos diretos e indiretos pode chegar a 218 mil vagas. O professor professor Raoni Rajão, da UFMG, comparando a área e a produção de soja e de açaí no Pará entre 1996 e 2015, mostra que a fruta brasileira tem rendimento por hectare muito maior que o da soja. Existe hoje uma cadeia global de açaí na casa das centenas de milhões de dólares, além de Mel, óleo de pequi, copaíba, borracha, castanha, são inúmeros os produtos de uso alimentar, farmacêutico e cosmético que a ciência, aliada aos povos da floresta. Para reverter essa lógica do desmatamento, diz ele, é preciso destinar grande parte das terras devolutas para unidades de conservação, em particular para florestas nacionais, com objetivo de promoção do uso sustentável dos recursos florestais e a pesquisa científica. Há estudos, entretanto, adverte Ronaldo Seroa da Motta, que mostram que a renda sustentável da floresta em pé é espacialmente diferenciada, e somente 12% da área seria capaz de gerar rendimentos que competiriam com a agropecuária, mesmo de baixa produtividade. Assim sendo, diz ele, não há como prescindir de pagamentos pela comercialização de créditos de carbono por redução de desmatamento, previsto no Acordo de Paris. Mesmo com o preço modesto de US $ 5 por tonelada de CO2, como foi contratado no Fundo Amazônia, poderiam gerar uma receita de 50 bilhões de dólares até 2025 através de fundos ou projetos liderados e coordenados por agências de desenvolvimento estaduais ou nacionais. Fontes: Merval Pereira – 26/01/2010 - O Globo - https://blogs.oglobo.globo.com/merval-pereira/post/acai-e-bioeconomia.html Amazonia Ativa - Um centro de inovação em bioeconomia para a Amazônia em Rondônia.