
Neste último fim de semana, um deputado rondoniense incitou a população de um distrito de Porto Velho a atear fogos em veículos de fiscalização ambiental caso agentes públicos fiscais aparecessem na região, para, segundo ele, punir trabalhadores. Antes de seguir, quero fazer uma ressalva importante: Órgãos de fiscalização ambiental, existem para coibir o crime ambiental e não trabalhadores. Logo, sua ação é respaldada em normas e leis que são criadas pelo próprio poder legislativo. É descabida e desproporcional atitudes e discursos como esse, inaceitáveis do ponto de vista democrático e de uma imprudência que só existe em mentes de pessoas extremamente desqualificadas para se ocupar funções tão relevantes como a de representante de nós ouvintes, povo desse estado. Primeiro porque estimula ações de vandalismo ao empoderar e legitimar que sejam cometidos atentados contra a vida de servidores públicos em serviço, enquanto defendem os interesses do Estado, por meio da aplicação de leis. Segundo porque vai contra as regras claros, como a constituição estadual e regimento interno da Assembleia Legislativa, aos quais um deputado jura, quando toma posse, defender incondicionalmente. O que acontece nesses casos, eu estou chamando de garimpagem do voto. Isso funciona como um garimpo mesmo, o político extraí, sem pedir licença, a única coisa que determinada comunidade possuí, a esperança em troca de voto. Para isso utiliza de ferramentas inadequadas e que causam um grande estrago na própria comunidade. Passadas as eleições, eleito ou não, o impacto dessa garimpagem pelo voto, traz prejuízos e a comunidade paga a conta pela irresponsabilidade alheia. Por exemplo, no caso do distrito de Porto Velho, onde tal deputado fez seu caloroso discurso de ódio contra a fiscalização, ele próprio disse que a situação de falta de regularização fundiária ali perdura por 20 anos. Minha pergunta é simples: O que ele fez ao longo de todos os anos que esteve como deputado para melhorar as condições desse povo, além de incitar essa gente contra o próprio estado? A resposta é: Nada, absolutamente nada. Sabe por quê? Porque se fizer, o palco para seu discurso raso e sem conteúdo acaba e o circo desmonta. O problema ouvintes, não são os órgãos de fiscalização, que apenas zelam por nosso patrimônio natural, bem coletivo de toda sociedade, o problema está na ausência de resolução de problemas com a seriedade e competência, que nós merecemos, afinal somos nós que pagamos os salários e regalias desses ditos “representantes do povo”. Lembrem-se sempre disso, essas pessoas devem defender o direito e a paz, e não a discórdia e conflito. Na garimpagem do voto a natureza paga a conta.