
ENTRE O CÉU E A TERRA Mark Mongillo Parte 1 Retirado do Livro “Conte Comigo... Deus” Eu sabia que daí a instantes iria morrer. Olhei para baixo e vi o chão subindo, vindo ao meu encontro. Não havia meio de me salvar. Então, ouvi-me dizer: — Ó Deus, salva-me! Era a primeira vez que pedia alguma coisa a Deus. Toda a minha vida fora dono de mim mesmo. Acreditava em Deus e ia à igreja, mas o fazia por um hábito que recebera de meus pais, e que praticava mecanicamente, sem pensar muito. Trabalhara numa fábrica de motores em Connecticut, mas esta falira, e de repente me vira sem emprego. Mas nem assim pensei em recorrer a Deus. Afinal de contas, a vida era minha, e cabia a mim encontrar outro serviço. Mas os meses se passavam e ainda continuava desempregado. Tinha 22 anos e morava em casa, mas estava-me tornando um peso para meus familiares. Sempre me sustentara, desde que tinha idade suficiente para entregar jornais, mas agora estava constantemente pedindo dinheiro emprestado, fazendo dívidas e mais dívidas. Por fim, arranjei um emprego, o único que me apareceu: fui ser tripulante num iate que ia para a Flórida. Cheguei à Flórida, mas tinha pouco dinheiro no bolso, e estava novamente sem emprego. Passava os dias procurando serviço. Certo dia um conhecido meu disse casualmente: — Tem um sujeito lá em Indian Town que dirige um curso de queda livre. Havia algum tempo sentia-me fascinado pela ideia de fazer queda livre. Sabia que o esporte estava-se tornando cada vez mais popular, e ocorreu-me que, se aprendesse a praticá-lo bem, poderia talvez arranjar um serviço de instrutor. Fui até o curso e inscrevi-me nele. O aeroporto particular que se utilizava ficava numa fazenda situada na tranquila e belíssima região dos laranjais, a leste do Lago Okeechobee. Nossa turma era constituída de sete alunos. Tivemos um total de quatro horas de aulas de instrução em sala sobre como controlar o paraquedas, dirigindo-o para onde quiséssemos ou fazendo-o estabilizar-se, acelerar-se ou mover-se em sentido lateral; sobre o controle do tempo da queda, o posicionamento do corpo, enfim, tudo o que se pode e não se pode fazer na queda livre. Depois disso, fizemos uma provinha escrita. Aí então estávamos prontos para o primeiro salto, quatro alunos, um instrutor e o piloto num Cessna 189, novo em folha. Eu estava vestido com as vestes próprias e equipado com todos os objetos necessários: um macacão vermelho, capacete de motociclista, e as botas próprias para absorção do choque. Às costas, trazia o conjunto de paraquedas, com o principal, nas cores branco, vermelho e azul, e o menor, que estava ali de reserva para alguma emergência. — Façam uma verificação de tudo, ordenou o instrutor. Verifiquem sempre para ter certeza se todas as tiras estão bem presas, nem muito apertadas, nem frouxas. Voávamos a mais de mil metros de altitude, passando sobre pastos relvados e laranjais cortados por valas de irrigação. Mais adiante, perto da extremidade da pista do aeroporto, via-se uma cavidade circular, cheia de areia branca, mais parecendo um poço de areia de um campo de golfe. Era a zona de piso mais macio, onde teríamos de cair. — Ok, Mark, salte! berrou o instrutor. Atirei-me pela porta da cabine do avião, arqueei as costas, estendi braços e pernas, e pus-me a contar bem devagar. — Um, dois, três, quatro, cinco... Na leitura de amanhã vamos conhecer a continuação desta história...