
Francisco Fardilha é especialista em desenvolvimento de talento no futebol, investigador na área da criatividade e autor de vários trabalhos científicos relacionados com formação de futebolistas. Até março, foi coordenador-adjunto da Academia do Lille, atual líder do campeonato de França. Nesta conversa, e entre outras coisas, são abordados assuntos relacionados com talento e como a dificuldade em defini-lo prejudica avaliações e decisões, fala-se do impacto das academias na formação dos futebolistas e os principais erros que são cometidos nesses ambientes, refere-se as consequências negativas de os clubes contratarem cada vez mais jovens jogadores em idades cada vez mais precoces, salienta-se a importância de "ter uma mente aberta e de pensar pela própria cabeça" e o perigo do "analfabetismo emocional", e sugere-se que os craques Mbappé e Bernardo Silva deviam fazer repensar o processo formativo. “Quando se contratam jogadores jovens de países, de continentes e até de cidades diferentes, o que se está a fazer é tirar uma planta do seu habitat natural e tentar replantá-la noutro tipo de solo, com outras condições climatéricas, logo há um grande perigo de ela não crescer. Por isso é tão importante prestar muita atenção a cada caso e ter pessoas competentes e ferramentas para isso. Às vezes, até a comida pode ser um fator de desestabilização”.