
Quando era mais pequena, achava que o luto era um processo em que a nossa única função era seguir todos os passos, como se de uma receita culinária se tratasse: 2 chávenas cheias de saudade, 1 chávena e meia de tristeza, lágrima a gosto. Misturar tudo, levar ao forno e esperar que arrefeça. Acontece que com a experiência inevitável que a vida nos dá, percebi que este assunto não é assim tão linear. Na verdade, apercebi-me que muitos eram os adultos que pensavam da mesma forma que eu (quando era mais pequena), e que a única forma de percebermos que o luto tem muitas formas e feitios, é se falarmos sobre ele. Porque na realidade “cada luto é um luto”, mas se o partilharmos, pode ser que o elefante que se encontra alapado nas nossas salas se levante mais vezes e vá passear.