
Você chega ao trabalho e parece completamente adaptado. Fala outro idioma. Conhece os códigos culturais. Participa de reuniões. Constrói relações profissionais. Sabe como se posicionar. Mas, quando o expediente termina, alguma coisa muda. Você quer falar português. Procura referências brasileiras. Prefere estar com pessoas que compreendem sua história sem precisar de explicações. E talvez perceba algo ainda mais curioso: Você consegue ser competente e reconhecido profissionalmente, mas continua se sentindo estrangeiro nas relações sociais. Como alguém pode estar tão adaptado em uma parte da vida e sentir tanta dificuldade de pertencimento em outra? No sétimo episódio da Temporada 5 do Em Trânsito, seguimos explorando o Modelo Bidimensional de Aculturação de John W. Berry, agora para compreender como nossas experiências de adaptação podem variar entre diferentes áreas da vida. Porque a aculturação não acontece necessariamente da mesma maneira no trabalho, na família, nas amizades e na vida social. Você pode participar intensamente da cultura local no ambiente profissional e preservar referências brasileiras dentro de casa. Pode dominar o idioma e ainda sentir dificuldade para construir amizades. Pode conhecer profundamente a sociedade onde vive e continuar sentindo que precisa esconder determinadas partes de si para ser aceito. E existe uma diferença importante entre adaptar o comportamento a diferentes contextos e sentir que precisa representar alguém que não é para conseguir pertencer. Às vezes, o esforço não está apenas em compreender uma nova cultura. Está em sustentar diferentes versões de si sem perder a sensação de continuidade da própria identidade. 🎧 Neste episódio, conversamos sobre: As diferentes formas de adaptação no trabalho, na família e nas relações sociais. A diferença entre competência cultural e pertencimento emocional. O esforço psicológico de viver entre idiomas, códigos e expectativas culturais. Quando a adaptação amplia nossas possibilidades e quando começa a exigir o apagamento de partes da identidade. Como experiências anteriores de rejeição ou inadequação podem interagir com os desafios da migração. E deixo uma pergunta para acompanhar você: Em qual parte da sua vida fora do Brasil você sente que realmente pode ser quem é? E em qual ainda sente que precisa representar alguém para conseguir pertencer? Talvez você não tenha uma única maneira de se adaptar. Talvez esteja construindo diferentes formas de pertencimento em cada território da sua vida. Porque pertencer não significa ser a mesma pessoa em todos os lugares. Significa não precisar abandonar quem você é para conseguir existir em cada um deles. 🎙️ Em Trânsito | Saúde mental para a vida nômade Temporada 5 • Entre dois mundos Pertencer não é escolher um lado. É construir espaço para tudo aquilo que você se tornou.