
Há diferença entre levar uma vida intelectual e uma vida artística? Neste episódio, descubra o mínimo que você precisa saber para se manter focado e sério na vida de estudos como um artista. Não se esqueça de mandar as dúvidas e sugestões nos comentários deste post. Também me siga no Instagram em @paulocantarelli para conteúdos exclusivos nos stories. Ajude a manter o site comprando os livros citados no programa através de meus links da Amazon: “O Segredo dos Grandes Artistas” – Mason Currey “Cartas Exemplares” – Flaubert “Aristóteles em Nova Perspectiva” – Olavo de Carvalho Links para ajudar os bons poetas nacionais: “Pavão Bizarro” – Emmanuel Santiago “O Corpo Nulo” – Lorena Miranda Cutlak Textos lidos no programa: ANTÃO, O SANTO, NO SEPULCRO Por Emmanuel Santiago Atrás dele, fechou-se a antiga tumba; Antão, o santo, sem dizer palavra, mergulhando no escuro mais espesso, num mármore, encostou o velho corpo, porém dormir não quis: rezava apenas e, mudo, suas preces repetia. As orações, silente, repetia, na escuridão total daquela tumba, mas ali não havia o santo apenas, pois alguém proferiu esta palavra: “Eis-me aqui — Asmodeus!”; daí seu corpo foi atirado contra o piso espesso. Levou as mãos ao rosto — o sangue espesso vertendo —, então o mal se repetia: por dezenas de vezes o seu corpo pelos ares voou naquela tumba; ainda assim, não disse uma palavra: contorceu-se no chão, gemendo apenas. E lhe disse Asmodeus: “Desejo apenas, para deixares este breu espesso, que me concedas uma só palavra!”, mas, o silêncio, o santo repetia, reverberando fundo pela tumba e em cada frágil fibra de seu corpo. Asmodeus rebentou-lhe, então, o corpo, todo fraturas, sangue e pus apenas, retorcido de dor no chão da tumba, sem osso nenhum ou músculo espesso, enquanto seu carrasco repetia: “Basta que digas uma só palavra!” Mas Antão não diria essa palavra por mais que torturassem o seu corpo; assim, sua paixão se repetia até que lhe restasse, tão apenas, seu espírito, qual mármore espesso lacrado no silêncio de uma tumba. Foi no chão dessa tumba, que a palavra, algo tão mais espesso do que o corpo, o seu silêncio apenas, repetia. Recomendações musicais (clique para abrir o link do Spotify): “Mozart: Piano Sonatas K. 310, K. 333 e K. 545“, por Maria João Pires. “Mozart: Piano Concertos“, por Finghin Collins. “Beethoven: Complete Piano Sonatas“, por Maurizio Pollini. “Beethoven: Violin Sonatas Nos. 05 ‘Spring’ & 09 ‘Kreutzer’“, por Wilhelm Kempff e Yehudi Menuhin. “Schubert: Complete Works For Violin & Piano“, por Julia Fischer e Martin Helmchen. “Chopin: The Nocturnes“, por Nelson Freire. Não citado no programa, mas recomendado: “Bach: Concerts Avec Plusieurs Instruments“, por Café Zimmermann.